Sem o mar aberto e o desalento, sem o ar frio a me apertar o peito, se em mim houvesse outro jeito quem seria de mim? Tendo estado inquieto ao longo da tarde, fui tomado no início da noite por uma euforia morna ao começar a acalentar em mim a idéia da ligação. Ela, … Continue lendo Âncora de mar aberto
Tag: loucura
O homem extemporâneo
Ele está cansado. Sem que tenha feito nada ao longo do dia, está cansado. Digladia ferrenhamente dentro de si para pôr-se em marcha, envolver-se de ofícios e enganos, mas nada parece funcionar; mais uma vez o dia parece perdido. Mais uma vez parece fadado a sofrer, sofrer consigo, sofrer em silêncio, sofrer imóvel, … Continue lendo O homem extemporâneo
Vertigem
Dá quase vontade de ser pego no corredor, subindo as escadarias com uma garrafa de whisky e um baseado na mão. Seria bem engraçado, na verdade. A cobertura continua esquecida, mal-cuidada; acho que ninguém nunca vem aqui. Apesar do descuido é um lugar até agradável, com a solidão, e a vista, e o … Continue lendo Vertigem
Viela 4, casa 5 (fundos)
Ela se joga na cama, acabada; sente com desgosto que os lençóis ainda estão molhados da noite anterior. Franze levemente o cenho, suspirando profundamente. Ela está cansada; muito cansada. As costas dóem, os pés formigam; antes que se dê conta ela já está sentada na cama, as costas arqueadas, os braços jogados sobre … Continue lendo Viela 4, casa 5 (fundos)
Dá-me a tua mão
Take a long drive with me Decemberists Dá-me a tua mão: vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. Clarice Lispector ...oi! Tudo bem? ...peraí, deixa eu te ajudar, é que a fivela está com um probleminha aqui, você precisa forçar um pouco e... pronto! … Continue lendo Dá-me a tua mão
Uma conversa, uma oportunidade, um e-mail #2
Date: Sun, 30 Jan 2011 16:11:20 -0200 Subject: sua pergunta de faz tempo From: w@g.com To: j@h.com E aí, J! Você me fez há muito tempo uma pergunta simples: o que eu achava dos medicamentos. Desculpe se demorei demais pra responder, mas me custou um tanto de clareamento pra conseguir responder honestamente. Como eu disse … Continue lendo Uma conversa, uma oportunidade, um e-mail #2
perder-se – Ruínas de Astérion
I. O medo se aguarda no bolso direito, do paletó. Just in case. Anda-se em linha oblíqua, em direção à segunda estrela. À direita. Até o amanhecer. Somos muitos, mas poucos são os que sobrevivem aos primeiros dias. Porque o medo já não espera muito. Muitas das curvas … Continue lendo perder-se – Ruínas de Astérion
T’s some blues you got
- Enche um Cynar pra mim, ô Tonho! Tonho enche, quieto. Bate o copo na frente dele. Olha bem pra ele enquanto ele pega o copo, sem olhar pro Tonho. Tonho pergunta: - Que aconteceu? Vai pra casa! - Eu ia. Descarregou a porra do bilhete, sei lá. Eu pus cinquenta conto ontem mesmo, … Continue lendo T’s some blues you got
… e todos os livros que nunca li
O mais sincero seria começar esse texto declarando minha tristeza em escrevê-lo, por tudo o que ele me custa; mas não me aguento nisso já, contorno esta necessidade e volto a ela quando mais não puder. ...um dos livros que mais me marcou neste ano de 2010 é, sem dúvida, o "Fazes-me falta" … Continue lendo … e todos os livros que nunca li
Da beira do mundo plano
... e tendo sido quase tudo por medo de não ser ninguém, à beira do caminho vê um engano; abaixando-se para alcançá-lo, percebe com curiosidade e espanto, ao levantar, que esqueceu-se, no caminho, o que deveria ter sido. Onde ficou? Revolve a terra de onde pegara o engano. Não, não está lá. … Continue lendo Da beira do mundo plano

