Caixa 2

Por vezes me vem essa fantasia, portando consigo a angústia que ela veste: o mercado abre, o caixa atende a infindável procissão de velhinhos e outros clientes preferenciais, o mercado fecha e eu estou lá, os pãezinhos na mão, aguardando atendimento. Ou: faço meu cadastro na recepção do pronto socorro e sentamos na sala de … Continue lendo Caixa 2

… numa terra muito, muito distante

O clima de tensão era praticamente visível: havia uma espessura, uma expectativa, a espera por algum tipo de catástrofe ou milagre, havia medo e um esforço obviamente inútil de pretender normalidade. Em geral não se via muita gente. Já era tarde, os trens pegavam pouca gente nas estações, os faróis paravam poucos carros junto às … Continue lendo … numa terra muito, muito distante

À porta

Quando ele enfim nunca mais voltou eu pude, por um tempo, descansar. Pude olhar ao redor, pude olhar a mim mesma, pude ter medo, e então raiva, e enfim nojo - primeiro de mim mesma, mas depois, brevemente, dele. Contemplei, curiosa, a presença tão nítida dele em meus pensamentos. O nojo dele era uma presença … Continue lendo À porta

Feed me

É claro que, vindo de onde vinha, ele tinha de fazer eventualmente uma ou outra colocação provocativa. Ninguém veria com bons olhos um midiático egresso da militância que não lançasse olhares ferinos, que não apontasse o dedo e desfiasse discursos tão astutos quanto venenosos. Era esperado dele – era isso que fazia ele vender, e … Continue lendo Feed me