- Consultório do dr. Cortázar, boa tarde. Preponte, é isso! Ar prepotente, como se ela se gabasse do fato de estar atendendo o telefone do tal do Cortázar. Era a terceira ligação que ela atendia com esse tom. Antes disso atendera outras quatro ou cinco com um tom de jovialidade, como o funcionário puxa-saco que … Continue lendo O consultório do dr. Cortázar
Categoria: Literatura
O errante e a consciência reflexiva
Estava no lobby de um hotel às margens da orla; eu o esperava há meia hora, sentada a uma mesa próxima à piscina faiscando o sol, ofuscante, majestosa - um pouco esforçada demais para o meu gosto. Em vista do ambiente de clipe de hip hop americano, do recepcionista me anunciando e me encaminhando, … Continue lendo O errante e a consciência reflexiva
Âncora de mar aberto #2 – o muro branco
E se éramos luz? Ah, amor, se éramos luz devíamos ter-nos guiado por ali, mesmo, e teríamos sido tão tão felizes, é uma beleza de se sonhar. Por que não fomos a beleza que tínhamos guardada ali no cantinho, lembras ainda? Eu me esqueço, é tanta sombra e tanta luz, sabes? Eu mesmo não … Continue lendo Âncora de mar aberto #2 – o muro branco
Salve o samba, salve a alvorada
Gente de todo povo, povo de toda prosa, prosa de toda gente e a gente lá. A festa estava boa, estava boa pá, boa de se rir à toa, o povo a saracotear. Eu tinha te deixado ali às margens da banda, a saia baloneando, e fui comprar uma cerveja e encher o copinho de … Continue lendo Salve o samba, salve a alvorada
Reunião de cúpula ou Co-branding – Comfort e Armani
...estamos lidando com muito mais do que amaciamento – queremos que o terno e o macio sejam sinônimos. Queremos amaciar pessoas, e queremos que o terno seja o invólucro do macio como forma de ser, de ver o mundo, de ser no mundo. Queremos um mundo amaciado. Todos vocês devem … Continue lendo Reunião de cúpula ou Co-branding – Comfort e Armani
Sr. K. e a política no Facebook
Bateram à minha porta. Era tarde, como sempre era quando batiam à minha porta. Abri, sonolento, ciente das remelas que eu não coçava por preguiça e por medo de doer – doíam quando saíam nos últimos tempos, o pessoal do bar dizia que era falta de água, que eu deveria tomar mais água quando acordasse. … Continue lendo Sr. K. e a política no Facebook
Balas e rojões de um festim esquecido
Tenho visto tanta gente circulando informações sobre revoluções, mobilizações e atos que deveriam não ser, ou poderiam ter sido, ou que não foram como deveriam ser que julguei apropriado lembrar nesta minha coluna de episódios históricos tão claramente não ocorridos em nossa história recente. Os bons leitores de Perfume, de Patrick Suskind, certamente estarão lembrados … Continue lendo Balas e rojões de um festim esquecido
Comentário a “Regras de linguagem na psiquiatria – burocracia e má fé”, de Franco Benetti
Jorge Luís Borges não era um entusiasta do elogio das criações; para ele as ideias ocorriam à pessoa a quem ocorriam por acaso, e não por mérito – é exemplar nesse sentido o prefácio de um livro seu em que ele se desculpa aos leitores se eventualmente escreveu algo que “pertencia” ao leitor antes que … Continue lendo Comentário a “Regras de linguagem na psiquiatria – burocracia e má fé”, de Franco Benetti
Sheylla e as mortes – um monólogo
O amor, quando o descobri, foi belo. Não belo como mensagem motivacional, nem belo como comédia romântica: foi belo como o pulsar do sangue, belo como a morte. Belo, o amor, como a queda do amor pelas mãos do sexo, a vitória e a glória da baixeza sobre os ideais da bela vida. Quando descobri … Continue lendo Sheylla e as mortes – um monólogo
Semper fidelis – invadindo a Fidelis Filho
Eu estava caminhando, na rua; era perto de casa, mais ou menos o caminho que eu percorro a pé até a padaria. E no caminho para a padaria eu passo por uma travessa, uma pequena rua sem saída, que sempre me chama a atenção – Fidélis Filho, algo do estilo. Essa rua sempre me chamou … Continue lendo Semper fidelis – invadindo a Fidelis Filho

