e é assim que eu começo, porque é assim que acontece: a gente se vê de repente lançado nas circunstâncias, e quando tenta inscrever contornos e limites tudo o que consegue é falsear esse abrupto que é viver. porque não é organizado e regulamentado, não é. não soaram os três alarmes antes do meu parto, … Continue lendo Molloy e o astrolábio
Categoria: Literatura
Domingo no parque
e ficamos ali, como que esquecidos à margem do tempo. Vinha gente de todo canto, passavam por nós com saquinhos de pipoca, espetos de algodão doce, copos de refrigerante imensos imensos, e eu abraçado a ela contemplava aquilo tudo como se fossem os elefantes surrealistas do dalí, e como se estando ali à sombra da … Continue lendo Domingo no parque
A musa e o monstro
Eventualmente pareceu-me evidente que, quisesse manter em bons termos a vida com a arte que me cava os ossos, teria de haver-me em confrontação, por bem ou por mal, com a necessidade de inscrever em meus dias o ócio. Ócio, veja, que me doi, posto que me expõe a esse aperto que é, de fora … Continue lendo A musa e o monstro
Águas passadas
Roberto, quando te vi pela última vez estava com meu vestido preto, lembra? Preto, porque estava de luto. Tanto eu como você usávamos óculos escuros, que eu descobri com surpresa que não precisava ter usado, já que não chorei, nem a caminho do cartório, nem lá, nem depois. Supreendi-me, também, ao ver quão pouco os seus … Continue lendo Águas passadas
Na esquina da Artur com a Lisboa, um café
Encontrei Borges por acaso; na verdade, se ele não tivesse erguido o rosto para contemplar a curiosa imagem sobre o café, provavelmente eu não o teria reconhecido. Teria sido irônico, se alguém o pudesse saber, que um meu grande ídolo tomasse um café logo ao meu lado, no café do lado de casa, e eu … Continue lendo Na esquina da Artur com a Lisboa, um café
Loading “grandeza”… 50% complete
Olha só... eu me vi adulto, procurei bom senso, encontrei a curva, e achei melhor. Fui docilizado, nada em si errado, só uma etapa de um reencontro em um destempero futuro, quando isso tudo parecer menos mesquinho, mais assustador e eu do susto tirar coragem para fazer o que se sói fazer quando o tempo … Continue lendo Loading “grandeza”… 50% complete
A voz, o silêncio
Vieram da montanha. Eram muitos, vinham como orangotangos, pulavam e pareciam gritar - mas não faziam barulho. Eu os via, decerto que os via, e da forma como os via parecia a mim que faziam um barulho infernal; parecia a mim que gritavam a plenos pulmões, azucrinando e desrespeitando e humilhando a mim e … Continue lendo A voz, o silêncio
Será o que é?
Irmãos! Irmãos... a praça, nossa praça, acolhe-me aqui, agora em nome e honra de nosso Senhor! Eu, humilde enviado, fugi do pecado, salvai-me, Senhor! Eu tomo a palavra, da justa e da parva, a arte canhestra do nosso Senhor! Escutem meu berro, admirem o Livro, o Sagrado Livro do nosso Senhor! Aleluia, irmãos... aleluia! Aleluia. … Continue lendo Será o que é?
Teotônio fala a Bruta na cadeia
Tinha quase dezesseis anos feitos quando abri mão de tudo que tinha a perder de meus pais. Estava fartamente servido do que o ensino comprado tinha a me oferecer, e ansiava pela fome de mundo que só as estradas de terra poderiam me oferecer. Por cinco dias amarguei o arrependimento, a grandeza de meu gesto … Continue lendo Teotônio fala a Bruta na cadeia
T’s some blues you got II
[nota: esse texto cruza com outro bem anterior a ele publicado também neste blog, chamado "T's some blues you got"] Black... boa pedida, senhor: o Black é um belo whisky. Mas sabe que eu, nos meus tempos de whisky, tomava Chivas? Gostava muito do Black também, mas o Chivas me parecia mais... como chamam mesmo? … Continue lendo T’s some blues you got II








