O homem extemporâneo

  Ele está cansado.   Sem que tenha feito nada ao longo do dia, está cansado. Digladia ferrenhamente dentro de si para pôr-se em marcha, envolver-se de ofícios e enganos, mas nada parece funcionar; mais uma vez o dia parece perdido. Mais uma vez parece fadado a sofrer, sofrer consigo, sofrer em silêncio, sofrer imóvel, … Continue lendo O homem extemporâneo

Do Majestic ao Partenon

Inspirado no conto Abrir-se-vos-á, de Dayane Rodrigues:  http://palavrasbambas.blogspot.com/2011/10/abrir-se-vos.html?   A primeira coisa que o atinge é a dolorida consciência da luz, toda aquela luz!, da luz do sol no rosto - só na metade esquerda do rosto. Apertando os olhos ainda fechados vira a cabeça, raspando o rosto colado à almofada na direção oposta, e … Continue lendo Do Majestic ao Partenon

Uma conversa, uma oportunidade, um e-mail #2

Date: Sun, 30 Jan 2011 16:11:20 -0200 Subject: sua pergunta de faz tempo From: w@g.com To: j@h.com E aí, J! Você me fez há muito tempo uma pergunta simples: o que eu achava dos medicamentos. Desculpe se demorei demais pra responder, mas me custou um tanto de clareamento pra conseguir responder honestamente. Como eu disse … Continue lendo Uma conversa, uma oportunidade, um e-mail #2

Os poros do chuveiro

[       Trilha sonora sugerida: http://www.youtube.com/watch?v=SfVBDBcWuA0       ]    3 dias.    Banho. Barba, louça, roupa, mesmo os pensamentos.     Banho.     3 dias.     Bizarro. Ridículo. Incompreensível, inimaginável.     E não faz o menor sentido. Eu sou uma pessoa absolutamente normal; eu era uma pessoa normal. Eu sou. Não. Não, não é, tudo certo, é isso.     Banho. … Continue lendo Os poros do chuveiro

Breve comentário a Noite e Neblina, de Alain Resnais

  [A câmera afasta-se lentamente de uma construção em ruínas]: afastamo-nos das ruínas - diz o locutor - como se nos afastássemos dos horrores do Holocausto; como se o que se passou fosse uma lembrança no passado, de um país, de uma época, em uma situação.   É com essa provocação que Resnais encerra seu documentário, de … Continue lendo Breve comentário a Noite e Neblina, de Alain Resnais

Prólogo a “eugenia, genocídio e genética”, de Boris Smirnakoff

                                                   Roberto Jabeiro, jornalista, filósofo e teólogo, escreve quinzenalmente para Nova Medicina: avanços em Genética e Teoria Social    A revista IstoÉ da última semana de julho, que caiu acidentalmente em minhas mãos em momento de incomum ócio, apresentava uma matéria rica, parcamente aproveitada: tratava de programa inaugurado pelo site de relacionamentos Beautiful People, que … Continue lendo Prólogo a “eugenia, genocídio e genética”, de Boris Smirnakoff

Poder no trabalho em saúde mental pública

I.    Preâmbulo e avisos: Este texto foi apresentado em uma mesa em Maceió, em 2009. Queria agradecer, antes de qualquer coisa, pela ajuda dos colegas Cláudia Beltran do Valle, Rafael Alves Lima e Talita Arruda Tavares por sua inestimável ajuda, atenciosa leitura e inestimável companheirismo, sem os quais não teria chegado a este texto; eventuais … Continue lendo Poder no trabalho em saúde mental pública