Irmãos! Irmãos... a praça, nossa praça, acolhe-me aqui, agora em nome e honra de nosso Senhor! Eu, humilde enviado, fugi do pecado, salvai-me, Senhor! Eu tomo a palavra, da justa e da parva, a arte canhestra do nosso Senhor! Escutem meu berro, admirem o Livro, o Sagrado Livro do nosso Senhor! Aleluia, irmãos... aleluia! Aleluia. … Continue lendo Será o que é?
Tag: literatura
Teotônio fala a Bruta na cadeia
Tinha quase dezesseis anos feitos quando abri mão de tudo que tinha a perder de meus pais. Estava fartamente servido do que o ensino comprado tinha a me oferecer, e ansiava pela fome de mundo que só as estradas de terra poderiam me oferecer. Por cinco dias amarguei o arrependimento, a grandeza de meu gesto … Continue lendo Teotônio fala a Bruta na cadeia
Finados
Se eu disser, quando eu disser, eu te digo dos possíveis. Sei que a gente não se fala muito, sei que faz tempo, mas repara: quando eu te procurar e te interpelar é em nome dos possíveis. Não passa muito por mim falar do que é, do que eu penso que é, do que seria … Continue lendo Finados
January Hymn
On a winter Sunday I go To clear away the snow And green the ground below April all an ocean away Is this the better way to spend the day? Keeping the winter at bay The Decemberists, "January Hymn" Hmpf... acordou, é fato. Ele virou de lado na cama; não que pretendesse voltar a … Continue lendo January Hymn
A vida do Alcides, e a morte
Tinha acabado de recomeçar e já precisava parar de novo – menos de dez minutos, dessa vez, e o maldito tremor já estragava o corte da plaina. Ainda bem que não tinha pensado em nenhuma grandiosidade, nenhum recorte arrojado, imagine só, não terminaria! Olhou para a placa de madeira, já com os ângulos quase prontos. … Continue lendo A vida do Alcides, e a morte
Se eu pudesse comer livros
Sempre pensei que eu não pudesse comer livros; na verdade, sempre acreditei que os livros não servissem para nada, fossem anti-pragmáticos meio que por definição – Borges diz que são um dos artefatos mais curiosos criados pelos humanos, e eu acabei adicionando por conta própria a desfuncionalidade. Assim, eles servem para alguma coisa, claro … Continue lendo Se eu pudesse comer livros
O errante e a consciência reflexiva
Estava no lobby de um hotel às margens da orla; eu o esperava há meia hora, sentada a uma mesa próxima à piscina faiscando o sol, ofuscante, majestosa - um pouco esforçada demais para o meu gosto. Em vista do ambiente de clipe de hip hop americano, do recepcionista me anunciando e me encaminhando, … Continue lendo O errante e a consciência reflexiva
Âncora de mar aberto #2 – o muro branco
E se éramos luz? Ah, amor, se éramos luz devíamos ter-nos guiado por ali, mesmo, e teríamos sido tão tão felizes, é uma beleza de se sonhar. Por que não fomos a beleza que tínhamos guardada ali no cantinho, lembras ainda? Eu me esqueço, é tanta sombra e tanta luz, sabes? Eu mesmo não … Continue lendo Âncora de mar aberto #2 – o muro branco
Comentário a “Regras de linguagem na psiquiatria – burocracia e má fé”, de Franco Benetti
Jorge Luís Borges não era um entusiasta do elogio das criações; para ele as ideias ocorriam à pessoa a quem ocorriam por acaso, e não por mérito – é exemplar nesse sentido o prefácio de um livro seu em que ele se desculpa aos leitores se eventualmente escreveu algo que “pertencia” ao leitor antes que … Continue lendo Comentário a “Regras de linguagem na psiquiatria – burocracia e má fé”, de Franco Benetti
Acorda, amor (dubstep remix)
Eu, irritado, avesso, arisco, pouco fiz antes de ir dormir. Ela, meio entediada, ressentia-se de minha indisponibilidade, lançando em acusação dejetos da outra metade dela, a metade carente. Pouco falamos, na verdade. Meu dia, o ruim que foi meu dia, notícias esparsas sobre as licenciosidades das amigas dela, do absurdo dos acasos da rua, ah! … Continue lendo Acorda, amor (dubstep remix)



