Dizem que Masud Khan foi ao Himalaia, em busca de iluminação ou alguma experiência epifânica. De alguma forma é provável que todos que se aventuram nesse tipo de experiência absolutamente estranha à rotina e aos prazeres mais "à mão" procurem algo dessa ordem - uma ruptura, um novo. Reza a lenda que Khan … Continue lendo A irrupção do sublime – Metido à Carrasco #2
Tag: cotidiano
o Deus triste das feias freiras
Chove. Chove e a vida tempo louco eu; eu. * * * ... chances as teve, muitas, várias, e a cada curva o novo se lhe afigurava velho Os traços nos rostos das pessoas eram rugas As marcas no asfalto era desgaste As flores eram o prenúncio da morte A brisa era frio e fome … Continue lendo o Deus triste das feias freiras
Ai se sesse ou Na ribeira desse rio
Eu quero; quero muito, quero sempre. Quero pra hoje e pra amanhã, pra mim e pra excesso, pro que dá e pro que falta. Quero um mundo, todo um mundo só de hoje - um mundo muito, de tudo um muito. Pra mim, e pra quem vai comigo. Pra mim, e pra você. Quero porque … Continue lendo Ai se sesse ou Na ribeira desse rio
A mãe ficou irritada e decepcionada, e não quis que ele ficasse com ela na cozinha
Agora ele era rei. Se via de baixo, lá no topo, e o castelo alto, alto. Ele olhava a imensidão de seu reino; estava muito calmo. A seu lado, seu leão apoiava a cabeça nas patas dianteiras cruzadas, como se contemplasse também o reino. E agora ele tinha uma missão - os bárbaros invadiam seus … Continue lendo A mãe ficou irritada e decepcionada, e não quis que ele ficasse com ela na cozinha
Metido à Walcyr, metido a carrasco
Jamiroquai no mp3. A Paulista à minha frente, grandiosa. Gravata na mochila, mochila nas costas, terno jogado sobre o ombro - uma versão contemporânea, liberal do Rambo. E me arremesso, destemido, em meio à massa. Ao meu lado, no semáforo, uma moça. Bonita. Me olha - e eu, do canto do olho, vendo. Faz-me um … Continue lendo Metido à Walcyr, metido a carrasco
o que é singelo
Os passos na areia, andando-se para trás; saber-se dono dos próprios passos, sentir-se responsável por si e, por um segundo, livre. Surpreender-se feliz - e só feliz - num momento impróprio, lavando a louça, escovando os dentes, andando na rua. Sentir o som do próprio fone de ouvido contagiando o mundo, contagiando a si, espalhando-se … Continue lendo o que é singelo
Boneca russa
Ele saiu de casa atrasado, e a chance de chegar a tempo à reunião é mínima. O trânsito, pra variar, não colabora - como as pessoas dirigem mal! Alguém faz cagada lá na frente e as buzinas começam e vão ganhando adeptos a cada segundo, como um dominó, como MPB4. Obviamente as buzinas … Continue lendo Boneca russa
perder-se – Ruínas de Astérion
I. O medo se aguarda no bolso direito, do paletó. Just in case. Anda-se em linha oblíqua, em direção à segunda estrela. À direita. Até o amanhecer. Somos muitos, mas poucos são os que sobrevivem aos primeiros dias. Porque o medo já não espera muito. Muitas das curvas … Continue lendo perder-se – Ruínas de Astérion
As ondas que quebram na praia – borgeana #2
Borges abre seu "biografia de Tadeo Isidoro Cruz" alertando ao leitor que não dispõe de elementos nem competência para traçar a trajetória e os significados da vida do biografado. Assim, o texto em que se aventura consiste no relato do momento preciso em que Cruz se viu confrontado com seu destino, momento em que posicionou-se para … Continue lendo As ondas que quebram na praia – borgeana #2
T’s some blues you got
- Enche um Cynar pra mim, ô Tonho! Tonho enche, quieto. Bate o copo na frente dele. Olha bem pra ele enquanto ele pega o copo, sem olhar pro Tonho. Tonho pergunta: - Que aconteceu? Vai pra casa! - Eu ia. Descarregou a porra do bilhete, sei lá. Eu pus cinquenta conto ontem mesmo, … Continue lendo T’s some blues you got
