[Suspira] Oi, mãe; tudo bem? Feliz dia da mulher! Eu sei: muito tempo, né? Eu sei, mãe; também senti muita falta sua, senti mesmo. É que as coisas andaram muito difíceis para mim esses tempos - bom, acho que daí você certamente acompanha tudo e está sabendo, não é? Mas sabe, queria … Continue lendo Reencontro
Tag: cotidiano
Praia do bom engano
Sem você o tempo é todo meu Posso até ver o futebol Ir ao museu, ou não Passo o domingo olhando o mar Ondas que vêm Ondas que vão Sem você é um silêncio tal Que ouço uma nuvem a vagar no céu Ou uma lágrima cair no chão Mas não tem nada não - … Continue lendo Praia do bom engano
O pequeno rei e o vulto no fundo do espelho
Ele senta, afundando-se na poltrona[1]. Com alguma grandiloquência repousa os braços ao longo dos braços da poltrona; parece agora um pequeno fantasiando-se rei, postado imperiosamente em seu trono. Volta o rosto levemente, lentamente, para um lado, os olhos fechados, estufando o peito com algum pesar. Ele sabe que ela não vem; sabe que ninguém … Continue lendo O pequeno rei e o vulto no fundo do espelho
Viela 4, casa 5 (fundos)
Ela se joga na cama, acabada; sente com desgosto que os lençóis ainda estão molhados da noite anterior. Franze levemente o cenho, suspirando profundamente. Ela está cansada; muito cansada. As costas dóem, os pés formigam; antes que se dê conta ela já está sentada na cama, as costas arqueadas, os braços jogados sobre … Continue lendo Viela 4, casa 5 (fundos)
Dá-me a tua mão
Take a long drive with me Decemberists Dá-me a tua mão: vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. Clarice Lispector ...oi! Tudo bem? ...peraí, deixa eu te ajudar, é que a fivela está com um probleminha aqui, você precisa forçar um pouco e... pronto! … Continue lendo Dá-me a tua mão
Eu faço angústia e branco até mais tarde e tenho muita fome de manhã – buarqueana #1
- Um café e um pão na chapa, faz favor. Da mesa do canto, encostado à janela, vê-se o mundo acordando do lado de lá - os carros que passam, disciplinados e indolentes, infalivelmente presentes à procissão do dia que vem; a moça que vende os bolos com gosto de água de torneira, o … Continue lendo Eu faço angústia e branco até mais tarde e tenho muita fome de manhã – buarqueana #1
Coro intervém ou Mensagens de força
Texto participante da ciranda em parceria com Dayane Rodrigues: http://palavrasbambas.blogspot.com A fumaça do cigarro dança à sua frente e ela não vê. Seu olhar pende para o lado, contemplando os carros que passam. Os carros em suas múltiplas cores, as janelas abertas e as fechadas. No notebook aberto à sua frente o … Continue lendo Coro intervém ou Mensagens de força
Do Majestic, a queda
Sobre Alê e sobre Fábio, guarda compartilhada na ciranda com Dayane Rodrigues, Dayane do blog Palavras Bambas: http://palavrasbambas.blogspot.com/ O prédio. Finalmente, o prédio. Casinha. Água, banho, TV, comer alguma coisa. Tá, é isso. Tudo certo. Nada de mais. Vai passar. O prédio salta estranhamente aos seus olhos a cada passo que ele … Continue lendo Do Majestic, a queda
Do Majestic ao Partenon
Inspirado no conto Abrir-se-vos-á, de Dayane Rodrigues: http://palavrasbambas.blogspot.com/2011/10/abrir-se-vos.html? A primeira coisa que o atinge é a dolorida consciência da luz, toda aquela luz!, da luz do sol no rosto - só na metade esquerda do rosto. Apertando os olhos ainda fechados vira a cabeça, raspando o rosto colado à almofada na direção oposta, e … Continue lendo Do Majestic ao Partenon
As muitas vidas dos muitos homens das muitas ruas ou Sutil desencaixe
Quando eu te encarei frente a frente e não vi o meu rosto Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto É que Narciso acha feio o que não é espelho E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho Pega uma revista Caras. Corre as páginas pelos … Continue lendo As muitas vidas dos muitos homens das muitas ruas ou Sutil desencaixe

