Imbedumehlwana

  Começou. O suave tamborilar à janela me convida à varanda, de onde observo a garoa que principia a grande limpeza. Quem passa lá em baixo desapercebe o sinal, abre o guarda-chuva a guardar-se do que a todos parece um aborrecimento primaveril. Quem mais saberá que começou? Soará em meio aos povos o velho, continuado … Continue lendo Imbedumehlwana

Café sem prosa em poema

Ao Donatinho, meu primo, pela saudosa inspiração em forma de poesia: "conhece a piada do não nem eu? Não? Nem eu". Que haja leveza na vida de seus filhos, e na sua.   O mundo acordou atrasado, corre, acelera e bufa, desvairado - calma, mundo, tá tudo bem. Eu pego o copo e tomo um … Continue lendo Café sem prosa em poema

Search query = ambulante + morre + atropelado – Aproximadamente 116 mil resultados em 0,3 segundos.

  Toda noite o Eduardo chega em casa e a esposa o recebe com um grito vindo da cozinha: tudo certo no trabalho? O Eduardo tem sempre a mesma resposta, curiosa resposta: sobrevivi por acaso. Tudo certo? Não se sabe. Tudo certo, porque sobreviveu. É isso que importa, não é? Então, tudo certo. Tudo certo, porque … Continue lendo Search query = ambulante + morre + atropelado – Aproximadamente 116 mil resultados em 0,3 segundos.

Vértices da alienação (2010)

Em Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino, Marco Polo narra a Ghengis Khan as cidades fantásticas que encontrou ao longo de suas viagens; cidades sem fim se seguem no livro, breves relatos, como se fossem sonhos, cidades não-todas, cidades-proposta, cidades-fantasia. Em meio aos relatos, Khan e Polo se desafiam, pensando se as cidades invisíveis são fato, … Continue lendo Vértices da alienação (2010)

Acompanhamento terapêutico e seu “espaço legítimo”

                Alguns anos atrás conheci uma instituição particular, fechada, de tratamento para dependentes de álcool e drogas; era uma instituição de referência, onde o tratamento era bem caro. Cheguei nesse lugar com a perspectiva de integrar a equipe de ATs que acompanhava as saídas eventuais de alguns dos pacientes do lugar, aos finais de semana. … Continue lendo Acompanhamento terapêutico e seu “espaço legítimo”

Se numa noite de inverno

      Frio, frio abraço da indiferente noite. Arremessado às vazias circunstâncias da massa inquieta perpasso-me em parnasianos devaneios e aconchegantes calafrios, anacrônico, estranho, alheio. Dissolvo-me no ondear de uma linguagem que, me invadindo, não me pertence, apagado como uma vela encerrada na parafina que a contorna em vida. Sendo em sido, historiado em … Continue lendo Se numa noite de inverno