Olha só... eu me vi adulto, procurei bom senso, encontrei a curva, e achei melhor. Fui docilizado, nada em si errado, só uma etapa de um reencontro em um destempero futuro, quando isso tudo parecer menos mesquinho, mais assustador e eu do susto tirar coragem para fazer o que se sói fazer quando o tempo … Continue lendo Loading “grandeza”… 50% complete
Tag: alienação
Já há muito tempo não escrevo aqui. Tempo demais, talvez. Encontrei há alguns dias um amigo que se surpreendeu quando soube que eu postava em um mesmo blog textos de literatura e ensaios - ensaios tanto acadêmicos quanto políticos, para agravar; ele pergunta, sarcástico: "é como um querido diário, então?". Pode ser. Deve ser. Creio … Continue lendo
Vértices da alienação (2010)
Em Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino, Marco Polo narra a Ghengis Khan as cidades fantásticas que encontrou ao longo de suas viagens; cidades sem fim se seguem no livro, breves relatos, como se fossem sonhos, cidades não-todas, cidades-proposta, cidades-fantasia. Em meio aos relatos, Khan e Polo se desafiam, pensando se as cidades invisíveis são fato, … Continue lendo Vértices da alienação (2010)
Rodovia Presidente Dutra, quilometro 110
O caminhão passa, perto demais de mim passa. a lufada de ar quente, o cheiro do concreto e do pneu queimando me atingem desde a nuca, o concreto quente aos meus pés mais marcante em mim agora. A areia entra nos meus olhos, no meu nariz. Como posso eu expiro com força, passo a … Continue lendo Rodovia Presidente Dutra, quilometro 110
Tomo em mãos o mais agudo cinzel
Dulcinéia, saiba, antes de mais nada, que escrever-te me dói mais que tudo. Desde o primeiro dia em que fomos felizes juntos, ou ainda antes: desde o primeiro dia em que fui feliz com a perspectiva de um dia sermos felizes juntos soube, como se sabe o azul do mar, que não viveria sem … Continue lendo Tomo em mãos o mais agudo cinzel
Praia do bom engano
Sem você o tempo é todo meu Posso até ver o futebol Ir ao museu, ou não Passo o domingo olhando o mar Ondas que vêm Ondas que vão Sem você é um silêncio tal Que ouço uma nuvem a vagar no céu Ou uma lágrima cair no chão Mas não tem nada não - … Continue lendo Praia do bom engano
Viela 4, casa 5 (fundos)
Ela se joga na cama, acabada; sente com desgosto que os lençóis ainda estão molhados da noite anterior. Franze levemente o cenho, suspirando profundamente. Ela está cansada; muito cansada. As costas dóem, os pés formigam; antes que se dê conta ela já está sentada na cama, as costas arqueadas, os braços jogados sobre … Continue lendo Viela 4, casa 5 (fundos)
Dá-me a tua mão
Take a long drive with me Decemberists Dá-me a tua mão: vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. Clarice Lispector ...oi! Tudo bem? ...peraí, deixa eu te ajudar, é que a fivela está com um probleminha aqui, você precisa forçar um pouco e... pronto! … Continue lendo Dá-me a tua mão
Do Majestic ao Partenon
Inspirado no conto Abrir-se-vos-á, de Dayane Rodrigues: http://palavrasbambas.blogspot.com/2011/10/abrir-se-vos.html? A primeira coisa que o atinge é a dolorida consciência da luz, toda aquela luz!, da luz do sol no rosto - só na metade esquerda do rosto. Apertando os olhos ainda fechados vira a cabeça, raspando o rosto colado à almofada na direção oposta, e … Continue lendo Do Majestic ao Partenon
As muitas vidas dos muitos homens das muitas ruas ou Sutil desencaixe
Quando eu te encarei frente a frente e não vi o meu rosto Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto É que Narciso acha feio o que não é espelho E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho Pega uma revista Caras. Corre as páginas pelos … Continue lendo As muitas vidas dos muitos homens das muitas ruas ou Sutil desencaixe

