O culpado (resistência)

Tenho tentado me manter ocupado. Tenho tentado matar o tempo, a ver se o tempo me mata. Tenho estado distraído em tribulações nebulosas, pensamentos confusos, fixações desgostosas. Tenho pensado em nós. Tenho lembrado de um tempo que acho que nunca foi. Tenho habitado ondas mornas de fotografias de você, Esperando que me veja, querendo estar … Continue lendo O culpado (resistência)

Aviãozinho

Te escrevi uma carta. Estava eu lá, todo tinta preta, vertido e versado em palavra, estava eu todo lá. Eu, todo lá, a ser entregue a você. Me escrevi numa carta, a remeter a você. E eu estaria contigo, como nunca estive sequer comigo. Eu seria a mancha que diz dos interiores, a mancha de … Continue lendo Aviãozinho

Lamento do Império Colonial

Vínhamos - não todos, todos. Era um engano imenso, do tamanho de um país. Estávamos unidos, uma farsa só, bandeiras a tremular, corações a tremular, pensamentos, todos tão seguros, hasteados nos mais altos mastros. Sorríamos uns aos outros, encantados conosco. Era uma festa, e era uma redenção, uma luta ganha de antemão. Uma luta ganha … Continue lendo Lamento do Império Colonial

Demora

Ao Martin, ao seu ser de outro tempo, e ao meu não entendê-lo o melhor que posso Corre o tempo. Corre como um rio, convida à serena habitação de seu burburinho. Em meio ao outro, menor, mais afoito burburinho, corre o rio em seu mudo, pacato, inevitável, inaudível burburinho. Habitar o sereno burburinho do tempo … Continue lendo Demora

o ponto cego, o nó da costura do tempo e a solda improvisada com isqueiro

É certo, quase certo, que quando naufragar de vez esse nosso verde-amarelo submarino, terá vindo da avenida paulista a derradeira e decisiva rachadura. sabemos, como se soubéssemos, que é lá que se jogam no presente os trucos do passado e os blefes do futuro. é lá que se olham nos olhos os parceiros, certos de … Continue lendo o ponto cego, o nó da costura do tempo e a solda improvisada com isqueiro