Que acasos esparsos me ungissem os passos me aguardassem pelas curvas mais agudas da trilha Que me tingissem alvores, rubores, negrumes As gulas, ventos, doces tempos Toda a certidão, hesitação, patifaria Que houvesse descaso, esparramado docemente ao sabor das ventanias Que eu perdesse tudo, tudo tudo em que me reconheço, que só … Continue lendo Condicional
Não que eu possa
Não que eu possa ver Tecer uma verdade por nós dois Não que eu possa crer Que haja esperança pra depois Se a gente retomar Olhar uma vez mais Nos olhos do amor-pátria que um dia nos uniu Não quero escarnecer Mas que isso vá pra puta que o pariu Bom senso … Continue lendo Não que eu possa
Factfulness
Café mineiro – coisa fina. Foi uma das fotos que pesou decisivamente para que ele optasse por essa casinha: o pedestal, o filtro de pano, a janela com os batentes de madeira ao fundo, as paredes com aquele amarelo-palha cheio de marcas de pincelada, e a fumaça do café claramente discernível; foto fantástica, remetendo claramente … Continue lendo Factfulness
Ode ao casal vão
Toda vida grita uma morte que lhe seja digna Que lhe escape aos acasos fixe os transtornos Encerre seus dias Toda vida grita uma morte que lhe seja digna Alheia ao ocaso dos deuses macabros Dos deuses otários, diabos, viados, Do deus só e macambúzio Que só amanhecia A vida grita uma morte que lhe … Continue lendo Ode ao casal vão
A flecha
Quem vive na cidade imagina muitas vezes que os povos indígenas a áreas florestais vivem perdidose em meio à mata fechada, errando em meio às árvores como escoteiros principiantes, tateando seus caminhos rumo ao rio mais próximo e, assim que possível, rapidamente de volta à aldeia, tementes de qualquer desvio que os condenaria a vagar … Continue lendo A flecha
O mesmo
Sabe aqueles avisos nos halls de prédio, dizendo para verificar se o mesmo encontra-se parado no andar antes de entrar no elevador? Bom, pelo menos por enquanto posso lhe dizer que pode ficar tranquilo, porque ele não está lá: está aqui comigo, em casa. Não sei como nem quando ele chegou – nesse sentido os … Continue lendo O mesmo
Menino (parte 1 de Jardim Matilha)
1. O seu Agenor criou coragem e afundou-se no Fundão, a Cabrita como estrela-guia e a foice como apoio – foi assim que tudo começou. As gentes do Jardim Matilha encresparam-se, depois da burrada do Ditinho, com a vastidão de espaço perdida ao Fundão, ali por onde corria o Rio Bonito, há tempos já perdido … Continue lendo Menino (parte 1 de Jardim Matilha)
Ressentimento (voragem)
A inquietação que me toma é filha do medo que eu sinto pela certeza que tenho de que jamais receberei o perdão necessário pelas minhas mais fantasiosas falhas - aquelas pelas quais é impossível sequer pedir o tão urgente perdão. Coço e roço e tremo e cuspo como posso, mas o medo me carcome a … Continue lendo Ressentimento (voragem)
Eu olhar [você]
Se começasse assim. Se assim como nada; assim, como quem quer nada. Se assim que se pudesse, ou ainda antes, quando ainda parecesse vir do nada. Se como um encontrão, como livros pelo chão, se com um sorriso de artista de televisão. Se você antes do medo em mim. Se quando ainda havia inocência, quando … Continue lendo Eu olhar [você]
Tranquility Base Hotel & Casino, Arctic Monkeys, 2018
Pensei em escrever uma resenha do novo CD do Arctic Monkeys, "Tranquility Base Hotel & Casino"; aí desisti. Pensei em escrever porque discordei das duas resenhas que li - uma do Tony Aiex para o "Tenho mais discos que amigos.com", outra do Braulio Lorentz para o G1. As duas faziam referências à entrevista que o … Continue lendo Tranquility Base Hotel & Casino, Arctic Monkeys, 2018

