Condicional

Que acasos esparsos me ungissem os passos

me aguardassem pelas curvas

mais agudas da trilha

 

Que me tingissem alvores, rubores, negrumes

As gulas, ventos, doces tempos

Toda a certidão, hesitação, patifaria

 

Que houvesse descaso,

esparramado docemente

ao sabor das ventanias

 

Que eu perdesse tudo,

tudo tudo em que me reconheço,

que só me restasse sombra, invenção amarga,

descurada nostalgia

 

Que eu fosse o resto de mim,

sobrevivente,

alheio a testemunhos,

que eu sem final recomeçasse,

que eu só sempre recomeçaria

 

Que o quociente se perdesse de mim,

de mãos dadas a qualquer outro ciente,

aguardente aquiescente, demovente

dos amores menores,

da força motora de um interminável mundo cão

(de um mundo não)

(de um mundo são)

 

São, em raros tempos de infortúnio,

a fortuna generosamente esquecida de si

entregue às luxúrias da vida do todo dia

E o acaso generosamente esquecido de mim

 

Mim, imenso imerso em um eu enfim desesquecido,

Eu das continuidades interrompido,

Se eu do condicional merecido,

Se eu eterno recomeço,

Se eu enfim eterno recomecional:

 

Se eu Fotografia

Se eu Vadia

Se eu o acaso um dia

Se eu tudo e sempre calmaria

 

Se eu extemporaneamente a-final

 

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3 comentários sobre “Condicional

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