Praia do bom engano

Sem você o tempo é todo meu Posso até ver o futebol Ir ao museu, ou não Passo o domingo olhando o mar Ondas que vêm Ondas que vão Sem você é um silêncio tal Que ouço uma nuvem a vagar no céu Ou uma lágrima cair no chão Mas não tem nada não  - … Continue lendo Praia do bom engano

O pequeno rei e o vulto no fundo do espelho

Ele senta, afundando-se na poltrona[1]. Com alguma grandiloquência repousa os braços ao longo dos braços da poltrona; parece agora um pequeno fantasiando-se rei, postado imperiosamente em seu trono.   Volta o rosto levemente, lentamente, para um lado, os olhos fechados, estufando o peito com algum pesar.   Ele sabe que ela não vem; sabe que ninguém … Continue lendo O pequeno rei e o vulto no fundo do espelho

Na esquina da Borges com a Foucault, uma biblioteca

  Estava há muito tempo sem visitar meus livros de/sobre Nietzsche quando recebi o convite para escrever um prefácio para um amigo que escrevera um livro sobre o tema. Não poderia recusar o convite, e a oportunidade de reler e, principalmente, escrever a respeito até me animavam um pouco. Por isso, naquela terça-feira - nunca … Continue lendo Na esquina da Borges com a Foucault, uma biblioteca

Eu faço angústia e branco até mais tarde e tenho muita fome de manhã – buarqueana #1

- Um café e um pão na chapa, faz favor.   Da mesa do canto, encostado à janela, vê-se o mundo acordando do lado de lá - os carros que passam, disciplinados e indolentes, infalivelmente presentes à procissão do dia que vem; a moça que vende os bolos com gosto de água de torneira, o … Continue lendo Eu faço angústia e branco até mais tarde e tenho muita fome de manhã – buarqueana #1