Acordou, e ele era um burro. Não pelo Q.I., nem por murros que se daria em pontas de faca. Não pela fraca intuição dos fatos, mas pela certeza incólume ao não-saber, pelo que em ser-se incerto o burro impõe-se ao médio, e por saber-se falho encontra os atalhos que o levam longe sem … Continue lendo O burrinho e a lírica
A CRÍTICA AO DSM NAS PESQUISAS BRASILEIRAS
Impasses em nome da pertinência na pesquisa universitária Por alguns anos fiz parte de um grupo de pesquisa em um laboratório da USP, formado por pesquisadores da Psicologia e da Filosofia. O projeto, inicialmente, tinha por propósito configurar uma espécie de manual de psicopatologia ancorado em bases distintas daquelas em que se … Continue lendo A CRÍTICA AO DSM NAS PESQUISAS BRASILEIRAS
INTERNET E VIRTUALIDADE
Usos e desusos da internet hoje. A internet e uma invenção recente – data, salvo engano, de 1995. Seus poucos anos de história destoam radicalmente da importância que ela foi adquirindo na vida de tudo e de todos hoje; se há pouco mais de 15 anos não havia internet em lugar nenhum (nem a falta … Continue lendo INTERNET E VIRTUALIDADE
Querido diário – das violências da escrita
Lembro de uma época, ainda na escola – primeiro, segundo colegial – em que tentei começar a escrever um livro. Tinha tido uma ideia, parecia ótima, e eu gostava de escrever. Se não me engano a ideia durou três páginas. O projeto, claro, era maior, em termos de ideias da estrutura do texto eu teria … Continue lendo Querido diário – das violências da escrita
Se numa noite de inverno
Frio, frio abraço da indiferente noite. Arremessado às vazias circunstâncias da massa inquieta perpasso-me em parnasianos devaneios e aconchegantes calafrios, anacrônico, estranho, alheio. Dissolvo-me no ondear de uma linguagem que, me invadindo, não me pertence, apagado como uma vela encerrada na parafina que a contorna em vida. Sendo em sido, historiado em … Continue lendo Se numa noite de inverno
Teotônio luz e sombra
Nascido em uma noite chuvosa e sem lua, Teotônio definiu-se ainda jovem um valoroso cavaleiro, um guerreiro das luzes. Nem bem entrara em anos e já se arrojava, impetuoso, em busca de sinais de sombra e incerteza contra os quais se poderia bater; era um homem com uma missão antes mesmo de ser homem. Sagrou-se … Continue lendo Teotônio luz e sombra
Aurora
Já posso antever o momento do encontro com Aurora. Acelero, sinto o carro mais leve, sinto a iminência da história a cada curva, sinto a amplidão da paisagem e do mundo e da vida. Aos poucos Aurora vem, e estamos juntos. A essa hora da madrugada não há ninguém na estrada, e as luzes … Continue lendo Aurora
O caminho a Teotônia
Eu havia jurado da última vez que nunca mais voltaria lá. Ela já havia mostrado antes os talentos, assombrosos talentos de que dispunha para me pegar desprevenido, desvendar um canto ainda inexplorado da pouca sensibilidade que eu imagino ter à disposição. Jurei que não voltaria e, até recentemente, estive conseguindo cumprir à risca minha … Continue lendo O caminho a Teotônia
Lobos tranquilos
Ela estava na cozinha. Por cima da bancada eu acompanhava seus movimentos para cá e para lá, envolvida com o cotidiano e só com ele - é claro que havia as louças e as roupas e as comidas e tudo, mas o fato era o cotidiano, era o cotidiano que ela vivia e era isso … Continue lendo Lobos tranquilos
Dia de féria
Do lado de cá da calçada batia um sol agradável. Eu, ajeitado na cadeira plástica, contemplava o movimento na rua. E haja movimento! Para tudo quanto é lado passavam jovens, passavam velhos, carros pequenos e grandes. Eu, sentado ali, olhava a eles estranhando tudo. De onde vinham? Para onde vinham? É muito viva essa … Continue lendo Dia de féria




