Caixa 2

Por vezes me vem essa fantasia, portando consigo a angústia que ela veste: o mercado abre, o caixa atende a infindável procissão de velhinhos e outros clientes preferenciais, o mercado fecha e eu estou lá, os pãezinhos na mão, aguardando atendimento. Ou: faço meu cadastro na recepção do pronto socorro e sentamos na sala de … Continue lendo Caixa 2

O chão tá posto

Meu amado, tenho uma boa notícia: convidei um pessoal pra ir em casa. Na verdade convidei todo mundo! Seus amigos do futebol, o pessoal do Núcleo, meus colegas de trabalho, aqueles teus amigos do colégio... ótimo, né? Pois é, vai todo mundo almoçar em casa no sábado. Sábado de manhã, você deve lembrar, eu tenho … Continue lendo O chão tá posto

… numa terra muito, muito distante

O clima de tensão era praticamente visível: havia uma espessura, uma expectativa, a espera por algum tipo de catástrofe ou milagre, havia medo e um esforço obviamente inútil de pretender normalidade. Em geral não se via muita gente. Já era tarde, os trens pegavam pouca gente nas estações, os faróis paravam poucos carros junto às … Continue lendo … numa terra muito, muito distante

Figo

Opa! Puxa, que bom revê-lo, menino! Cresceu, hein? Entra, entra, faz favor. Pois é, faz tempo. Bom que você veio! Quer um café? Passei agora há pouco. É, é mesmo. Então, sabe que desde que aposentei - faz dez anos já, acredita? - todo dia, de segunda a sexta, eu passo um café por volta … Continue lendo Figo

Nanquim

Já antes do mergulho, entregue apenas à aparência e à vivência que evoca, já antes do mergulho o mergulho é um mergulho. É que o nanquim é de um negro profundo, é a presença brilhante de uma textura robusta, ostentosa, ciente de si, provocante. Já antes do mergulho, portanto, só pela perspectiva do mergulho, o … Continue lendo Nanquim