Combustão

Seremos, eu e tu, fumaça. Sabes, e é do tempo que seja quando for, quando será;

que sejam nosso destino e acaso, de hoje em diante, magnânima entrega: entreguemos nome e idade e gravata e chapéu ao sabor do vento,

ao corroer do tempo,

ao explodir das bombas,

ao rugir das ordens,

ao correr dos homens,

ao bater dos homens

a bater nos homens

a fazer justiça

ao sabor do sangue

a escorrer no rosto:

ao clamor do tempo.

Somos tanto, e tão pouco!

Chegamos tão longe, e ao mesmo tempo estamos

ali,

ao lado de onde nascemos

– e em um virar de rosto contemplamos,

logo ali,

onde morreremos em segundos.

É tudo tão pouco, e tanto, e tudo tão nada.

Que faremos de nós, se conseguirmos não ser nada?

Ah!, seremos tanto!

Dá-me a mão,

então,

amor,

sejamos nada,

aqui,

agora,

e nunca,

e sempre.

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3 comentários sobre “Combustão

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