a onda onde o nada anda

[Na escrita, como na leitura e na respiração, há um ritmo, que não se impõe, mas se conquista, abrindo espaço através das cortinas e ditames de um fascínio e uma urgência a nos arrendar o corpo - sobretudo os pulmões - e a respirar-nos, afoitamente. E é por isso que convém preparar-se, dispor-se; respirar; contemplar … Continue lendo a onda onde o nada anda

Tipo um ghazal

O mundo mudou, caiu, e eu soube disso pela internet. O céu escureceu, o destino rugiu, a derrota chorada em ironia trash. O momento em que a emoção adentra o corpo é um momento político o momento em que a política atravessa o corpo é um chamado fatídico. Impõe-se a luta, convoca-se à luta, luta-se … Continue lendo Tipo um ghazal

Combustão

Seremos, eu e tu, fumaça. Sabes, e é do tempo que seja quando for, quando será; que sejam nosso destino e acaso, de hoje em diante, magnânima entrega: entreguemos nome e idade e gravata e chapéu ao sabor do vento, ao corroer do tempo, ao explodir das bombas, ao rugir das ordens, ao correr dos homens, … Continue lendo Combustão

A dança alvissareira das palavras-ninfas

Uma parente muito querida responde a uma notícia minha postada em rede social, dizendo que a notícia era "alvissareira". Fiquei muito feliz, mesmo não sabendo exatamente o que significava. Afinal é fácil imaginar uma notícia alvissareira voando por aí, passarinhando, ou uma notícia alvissareira passando jovialmente pela multidão em alguma festividade medieval, lançando pétalas de … Continue lendo A dança alvissareira das palavras-ninfas

Aurora

  Já posso antever o momento do encontro com Aurora. Acelero, sinto o carro mais leve, sinto a iminência da história a cada curva, sinto a amplidão da paisagem e do mundo e da vida. Aos poucos Aurora vem, e estamos juntos. A essa hora da madrugada não há ninguém na estrada, e as luzes … Continue lendo Aurora