Metido à Walcyr, metido a carrasco

Jamiroquai no mp3. A Paulista à minha frente, grandiosa. Gravata na mochila, mochila nas costas, terno jogado sobre o ombro - uma versão contemporânea, liberal do Rambo. E me arremesso, destemido, em meio à massa. Ao meu lado, no semáforo, uma moça. Bonita. Me olha - e eu, do canto do olho, vendo. Faz-me um … Continue lendo Metido à Walcyr, metido a carrasco

Boneca russa

Ele saiu de casa atrasado, e a chance de chegar a tempo à reunião é mínima.     O trânsito, pra variar, não colabora - como as pessoas dirigem mal! Alguém faz cagada lá na frente e as buzinas começam e vão ganhando adeptos a cada segundo, como um dominó, como MPB4. Obviamente as buzinas … Continue lendo Boneca russa

As ondas que quebram na praia – borgeana #2

  Borges abre seu "biografia de Tadeo Isidoro Cruz" alertando ao leitor que não dispõe de elementos nem competência para traçar a trajetória e os significados da vida do biografado. Assim, o texto em que se aventura consiste no relato do momento preciso em que Cruz se viu confrontado com seu destino, momento em que posicionou-se para … Continue lendo As ondas que quebram na praia – borgeana #2

Marina – mais uma do executivo

 "Quantas padarias tem São Paulo?" [ Foi há um certo tempo que perguntaram; a pergunta não deixa de ser boa. Quantas padarias haveria na cidade? Quanta gente tomando pão com café? Quanta gente checando seus e-mails em seus celulares, arrumando seus cabelos com espelhos diminutos?  Dez mil, imagino. Ou não, talvez mais: quinze mil padarias.  Isso … Continue lendo Marina – mais uma do executivo

Vértices da alienação

            Em Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino, Marco Polo narra a Ghengis Khan as cidades fantásticas que encontrou ao longo de suas viagens; cidades sem fim se seguem no livro, breves relatos, como se fossem sonhos, cidades não-todas, cidades-proposta, cidades-fantasia. Em meio aos relatos, Khan e Polo se desafiam, pensando se as cidades invisíveis são … Continue lendo Vértices da alienação