Estivéramos um tempo revirando as pedras à beira do lago, à busca de pequenos curiosos animais; à busca de tiradas espirituosas e mistérios distantes; à busca um do outro; em paz. Ainda há pouco eu comentara algo a respeito de um animalzinho de patas finas e compridas, Colin sorrira, e foi então que percebi que … Continue lendo Lake Song
justiça
O homem é amarrado a uma cadeira de ferro, usam-se cintos ou meias ou cordas encontradas algures, é tudo muito improvisado e o homem já não lembra de si. Não houve cuidado em disfarçar-se paradeiros ou algozes, o homem vê os seus rostos e ouve suas vozes, sabe mais deles do que gostaria, apesar de … Continue lendo justiça
Inocêncio e a crise
Inocêncio tomou um certo susto quando a porta do consultório se abriu; contemplava perplexo, um pouco aéreo, na expectativa, provavelmente, de que fosse chamado. Esqueceu completamente, no entanto, que vira a paciente entrar, e portanto não seria chamado antes que ela saísse. A moça agradeceu alguém lá dentro e saiu. - Tchau, dona Rosa, boa … Continue lendo Inocêncio e a crise
Uma prosa
Com minha gratidão a Gus Valentim e a toda família Valentim, pelos dedins de prosa que encantam a mim e a tantos - pai? - oi, filho. - que é Nucum? - Nucum? - é. Acho que é uma bebida. - quem te disse isso? - o Victor, da escola. Ele falou pra eu tomar Nucum. … Continue lendo Uma prosa
Ora viva quem vive!
Um errante pode passar muito tempo, pode mesmo passar tempo demais, sem passar por onde deveria. Aí reside o risco do erro, e o fundamento para a condenação do erro: banindo-se o erro bane-se o risco do imprevisto, na medida em que o certo é esperado e o incerto frequentemente pega o cidadão no pé … Continue lendo Ora viva quem vive!
Wither? – An open letter
To my dearest friends and foes. Beware, for they will mock your gods and saints. Beware, not of the mocking, but of the mocking being nothing but the husk of an empty diversion; that is: beware of the mocking, for fate impends elsewhere. Threats and mockery hover everyday haps and mishaps, clouded tempers, early promises, … Continue lendo Wither? – An open letter
Rendição premiada, delação de nada
Fugiremos, como pudermos, e o sol nos acolherá com o que se nos faz necessário. O tempo escasso cobrará seu último grão e estaremos finalmente sem tempo, tendo conosco só o tempo do mundo – todo o tempo do mundo. Veremos quem não conhecemos ainda, seremos ninguéns de passagem, sempre de passagem, e ao cabo de … Continue lendo Rendição premiada, delação de nada
A rosa
A Iara Iavelberg, que não conheci, que morreu, e a quem admiro Ana era uma mulher bonita, sempre achei isso. Mas naquele contexto, e daquela forma, seu rosto a um só tempo suave e ferino, delicado e decidido, parecia emanar algo da ordem da santidade. Ela cuidava do ferimento – apertava a ferida com a … Continue lendo A rosa
Search query = ambulante + morre + atropelado – Aproximadamente 116 mil resultados em 0,3 segundos.
Toda noite o Eduardo chega em casa e a esposa o recebe com um grito vindo da cozinha: tudo certo no trabalho? O Eduardo tem sempre a mesma resposta, curiosa resposta: sobrevivi por acaso. Tudo certo? Não se sabe. Tudo certo, porque sobreviveu. É isso que importa, não é? Então, tudo certo. Tudo certo, porque … Continue lendo Search query = ambulante + morre + atropelado – Aproximadamente 116 mil resultados em 0,3 segundos.
o tempo e o vale
Dizem que há um pequeno vale, aninhado confortavelmente nos recônditos de alguma das grandes-cada-dia-menores florestas, um pequeno vale desconhecido aos mapa-múndis e aos coletores de impostos. Esse pequeno vale alheia-se às civilidades cercanas e basta-se em saber-se coração da mata, saber-se selva, clareira na selva como benesse da selva e em benefício dos seus. Nesse … Continue lendo o tempo e o vale





