Quando eu te encarei frente a frente e não vi o meu rosto Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto É que Narciso acha feio o que não é espelho E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho Pega uma revista Caras. Corre as páginas pelos … Continue lendo As muitas vidas dos muitos homens das muitas ruas ou Sutil desencaixe
Categoria: Opinião
Outro livro que não li
... ter o livro ao alcance das mãos, e ter o tempo de abri-lo, e querer abri-lo, e não abri-lo - pode? Eu quero ler; quero muito. Como pode? Já passei por isso antes, mas foi diferente. Há algum tempo apaixonei-me por um livro não lido. O livro tinha até uma versão … Continue lendo Outro livro que não li
Sobre nada, como tudo. ondas
Vou me comprar um erro. Um belo erro, comprido e redondo, que me ocupe e me faça perder noção do tempo, até o tempo acabar com isso de uma vez; com meu erro passa mais rápido o dia, e acaba logo a semana, e o mês, e o ano, e aí a gente morre … Continue lendo Sobre nada, como tudo. ondas
breve queda
Aturdiu-se com a súbita queda do velho, do imperscrutável Camões. Viu-se escasseado - ah, esses dizeres! Feito em pouco viu que os dizeres eram-no o quase tudo, o pão que comia, o sono que dormia, era o que dizia e o que dizia ser. Pegou o charuto para melhor contemplar a … Continue lendo breve queda
Desconhecidamente
Eu era moleque ainda. Chegado em casa o que eu mais queria era de novo ganhar as ruas, passárgadas ruas de um condomínio fechado em uma cidade fechada. Acima e abaixo com amigos, e tantos amigos, e tão vários, mais novos e mais velhos, mais experientes e sacanas, mais novos e bobões, e eu … Continue lendo Desconhecidamente
o Deus triste das feias freiras
Chove. Chove e a vida tempo louco eu; eu. * * * ... chances as teve, muitas, várias, e a cada curva o novo se lhe afigurava velho Os traços nos rostos das pessoas eram rugas As marcas no asfalto era desgaste As flores eram o prenúncio da morte A brisa era frio e fome … Continue lendo o Deus triste das feias freiras
O errante e o flaneur
Vocês que estão no palácio Venham ouvir meu pobre pinho Não tem o cheiro do vinho Das uvas frescas do Lácio Mas tem a cor de Inácio Da serra da Catingueira Um cantador de primeira Que nunca foi numa escola Pois meu verso é feito a foice Do cassaco cortar cana [...] (Lirinha, Cordel estradeiro) … Continue lendo O errante e o flaneur
Ai se sesse ou Na ribeira desse rio
Eu quero; quero muito, quero sempre. Quero pra hoje e pra amanhã, pra mim e pra excesso, pro que dá e pro que falta. Quero um mundo, todo um mundo só de hoje - um mundo muito, de tudo um muito. Pra mim, e pra quem vai comigo. Pra mim, e pra você. Quero porque … Continue lendo Ai se sesse ou Na ribeira desse rio
Palavras têm gosto de nada
Para Jorge Luís Borges, que continuamente tem me surpreendido e mobilizado, são poucas as idéias - essas poucas idéias fazem-se muitas por serem pensadas de formas e ângulos distintos por homens distintos. Há escritores com tino para o efeito estético do uso das palavras, que transmitem aquela idéia que não é só deles de forma … Continue lendo Palavras têm gosto de nada
Fragmentado
Dez dias de sequestro Uma vida de sequestro. A porta do carro subitamente aberta foi a mesma porta de ferro da vida que fechava, lá, lá fora - por fora. No mais, nada era real; os gritos, a coronhada, os empurrões, o barulho, aquele estalo no fundo - nada era real. Dez anos depois, … Continue lendo Fragmentado

