Um dia chega o dia em que o dia não chega Estaremos, então, juntos, sozinhos uns dos outros E assistiremos, assustados e impassíveis, à aproximação do inevitável que diligentemente construímos, falsa farsa da tragédia que fomos, por tempo suficiente, por tempo demais. Estarei atento, como sempre estive, aos seus olhares de medo e … Continue lendo Amorcalipse
Categoria: Literatura
da queda
Este texto faz parte de uma ciranda literária com a Day Rodrigues, do blog Totens íntimos: Para acompanhar essa narrativa desde o começo siga esses links aqui, ó: 1) Abrir-se-vos-á 2) Do Majestic ao Paternon 3) Paternon 4) Do Majestic a queda 5) Sem pares 6) Coro Intervém ou Mensagens de Força 7) do levante Além disso, se quiser acompanhar melhor … Continue lendo da queda
O olhar do elefante branco
[Esse texto é sequência a "O último elefante branco"] Desenrolou-se já tempo sem conta desde a morte do último elefante branco, desfez-se o fio que o ligava a nós, perdemo-nos dele. Algo em mim, a despeito de tudo, mantém-no vivo, vivo cá dentro, e o que do último elefante branco insiste, eterno, é o olhar. … Continue lendo O olhar do elefante branco
Lake Song
Estivéramos um tempo revirando as pedras à beira do lago, à busca de pequenos curiosos animais; à busca de tiradas espirituosas e mistérios distantes; à busca um do outro; em paz. Ainda há pouco eu comentara algo a respeito de um animalzinho de patas finas e compridas, Colin sorrira, e foi então que percebi que … Continue lendo Lake Song
justiça
O homem é amarrado a uma cadeira de ferro, usam-se cintos ou meias ou cordas encontradas algures, é tudo muito improvisado e o homem já não lembra de si. Não houve cuidado em disfarçar-se paradeiros ou algozes, o homem vê os seus rostos e ouve suas vozes, sabe mais deles do que gostaria, apesar de … Continue lendo justiça
Inocêncio e a crise
Inocêncio tomou um certo susto quando a porta do consultório se abriu; contemplava perplexo, um pouco aéreo, na expectativa, provavelmente, de que fosse chamado. Esqueceu completamente, no entanto, que vira a paciente entrar, e portanto não seria chamado antes que ela saísse. A moça agradeceu alguém lá dentro e saiu. - Tchau, dona Rosa, boa … Continue lendo Inocêncio e a crise
Uma prosa
Com minha gratidão a Gus Valentim e a toda família Valentim, pelos dedins de prosa que encantam a mim e a tantos - pai? - oi, filho. - que é Nucum? - Nucum? - é. Acho que é uma bebida. - quem te disse isso? - o Victor, da escola. Ele falou pra eu tomar Nucum. … Continue lendo Uma prosa
Ora viva quem vive!
Um errante pode passar muito tempo, pode mesmo passar tempo demais, sem passar por onde deveria. Aí reside o risco do erro, e o fundamento para a condenação do erro: banindo-se o erro bane-se o risco do imprevisto, na medida em que o certo é esperado e o incerto frequentemente pega o cidadão no pé … Continue lendo Ora viva quem vive!
Rendição premiada, delação de nada
Fugiremos, como pudermos, e o sol nos acolherá com o que se nos faz necessário. O tempo escasso cobrará seu último grão e estaremos finalmente sem tempo, tendo conosco só o tempo do mundo – todo o tempo do mundo. Veremos quem não conhecemos ainda, seremos ninguéns de passagem, sempre de passagem, e ao cabo de … Continue lendo Rendição premiada, delação de nada
A rosa
A Iara Iavelberg, que não conheci, que morreu, e a quem admiro Ana era uma mulher bonita, sempre achei isso. Mas naquele contexto, e daquela forma, seu rosto a um só tempo suave e ferino, delicado e decidido, parecia emanar algo da ordem da santidade. Ela cuidava do ferimento – apertava a ferida com a … Continue lendo A rosa





