Vertigem

  Dá quase vontade de ser pego no corredor, subindo as escadarias com uma garrafa de whisky e um baseado na mão. Seria bem engraçado, na verdade.   A cobertura continua esquecida, mal-cuidada; acho que ninguém nunca vem aqui. Apesar do descuido é um lugar até agradável, com a solidão, e a vista, e o … Continue lendo Vertigem

Tomo em mãos o mais agudo cinzel

Dulcinéia,   saiba, antes de mais nada, que escrever-te me dói mais que tudo. Desde o primeiro dia em que fomos felizes juntos, ou ainda antes: desde o primeiro dia em que fui feliz com a perspectiva de um dia sermos felizes juntos soube, como se sabe o azul do mar, que não viveria sem … Continue lendo Tomo em mãos o mais agudo cinzel

O pequeno rei e o vulto no fundo do espelho

Ele senta, afundando-se na poltrona[1]. Com alguma grandiloquência repousa os braços ao longo dos braços da poltrona; parece agora um pequeno fantasiando-se rei, postado imperiosamente em seu trono.   Volta o rosto levemente, lentamente, para um lado, os olhos fechados, estufando o peito com algum pesar.   Ele sabe que ela não vem; sabe que ninguém … Continue lendo O pequeno rei e o vulto no fundo do espelho

Na esquina da Borges com a Foucault, uma biblioteca

  Estava há muito tempo sem visitar meus livros de/sobre Nietzsche quando recebi o convite para escrever um prefácio para um amigo que escrevera um livro sobre o tema. Não poderia recusar o convite, e a oportunidade de reler e, principalmente, escrever a respeito até me animavam um pouco. Por isso, naquela terça-feira - nunca … Continue lendo Na esquina da Borges com a Foucault, uma biblioteca