Tipo um ghazal

O mundo mudou, caiu, e eu soube disso pela internet.

O céu escureceu, o destino rugiu, a derrota chorada em ironia trash.

O momento em que a emoção adentra o corpo é um momento político

o momento em que a política atravessa o corpo é um chamado fatídico.

Impõe-se a luta, convoca-se à luta, luta-se a luta

toma-se o ônibus, volta-se à casa, pagam-se contas, escovam-se os dentes, dorme-se, triste.

Nós, funcionários, camarões, navegamos dormidos ao sabor das ondas

As ondas, dissabor dos mundos, atolam os mesmos, sempre os mesmos, mortos e deixados às praias a apodrecer.

Nós, amarrados, ancorados, presos dormidos de um’esmice errada,

[ errante, uma liberdade atada às cartas nas mãos dos poucos patrões.

Me importo, sem poder evitar,

e me importo, sem poder evitar.

Arrastados por uma batalha não deflagrada, administrada, conduzida,

arrastada, à força, por baleias brancas que perseguimos sem ver e sem poder alcançar.

Lutamos, às cegas, debatendo-nos, batendo-nos, perdendo-nos

e os dias seguem, e passam, e sobrevive quem calha

É uma vida puta

e um imperador puto para um puto país imperialista

Incomoda-se, quem se importa,

paga suas contas, reclama, se debate, e dorme à cata de sonhos.

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