I. DEFINIÇÃO PROVISÓRIA DE FUNÇÃO-AUTOR Tiro essa idéia de função-autor de Michel Foucault, como deve estar claro para a maioria: mais especificamente, de seus trabalhos "o que é um autor?" e "a ordem do discurso". Quem quiser saber em mais detalhes do que se trata, sugiro esses dois breves textos. Para nosso trabalho … Continue lendo Winnicott, a função-autor
Exílio Mudo
O sol nasce – ou tenta. Nuvem, neblina, fumaça, cortina, algo se põe entre o mundo e ele mesmo; do alto do prédio, de dentro do concreto, mas através da janela, nada se vê além do palmo diante do nariz que me cabe. Desse palmo, posso ver meu apartamento, meu umbigo – do ventre para … Continue lendo Exílio Mudo
Poder no trabalho em saúde mental pública
I. Preâmbulo e avisos: Este texto foi apresentado em uma mesa em Maceió, em 2009. Queria agradecer, antes de qualquer coisa, pela ajuda dos colegas Cláudia Beltran do Valle, Rafael Alves Lima e Talita Arruda Tavares por sua inestimável ajuda, atenciosa leitura e inestimável companheirismo, sem os quais não teria chegado a este texto; eventuais … Continue lendo Poder no trabalho em saúde mental pública
J
Era um homem novo. Como todo homem novo, tinha um futuro brilhante, sabia como o mundo era e como as coisas deviam ser. Inconformado. Brilhante. Aos 30 e poucos, doutorado recentemente conquistado, psiquiatra de renome crescente, J parecia daqueles destinados a fazer a diferença. Na instituição que ajudara a fundar, era a figura … Continue lendo J
impertinências
Talvez seja simples. Talvez seja assim. Talvez toda essa história d'a soma dos medos, a soma dos atos etc. não passa de baboseira e o homem é o que é, um punhado de acasos, uma esquina de mundo sem número, um conjunto de impertinências. E a soma dos erros e dos medos não significa absolutamente … Continue lendo impertinências
Um pólo macroeconômico chamado Brazil, 2002
Esse texto teve uma função burocrática: pleiteava um concurso de Literatura da Ford, que chamava "um poema chamado Brasil". O texto é uma espécie de tiração de sarro com a proposta do concurso... lembro de estar muito interessado, na época, nos trabalhos da Clarice. --------------------- O sino da igreja não badala as doze horas. O alarme da … Continue lendo Um pólo macroeconômico chamado Brazil, 2002
Resetar/ Formatar/ Ejetar – 2001
Ficou assim, pasmo, como que congelado, quase um minuto. O terno caiu assim que deparou-se com aquilo, jazia agora lá, no chão. Já a maleta, essa ele não largou, tinha-a consigo, apertava com força a alça, seu ponto de apoio em meio à confusão. A mão livre tremia, uma espécie de tilt; coisa estranha. … Continue lendo Resetar/ Formatar/ Ejetar – 2001
O duplo – ABRASME, RJ, 2010
All the things you would do gladly, oh without enthusiasm, but gladly, all the things there seems to be no reason for your not doing, and that you do not do! Can it be we are not free? (BECKETT, Molloy) Escrevi um texto fechado e o lerei aqui – talvez porque tenha medo; talvez porque … Continue lendo O duplo – ABRASME, RJ, 2010
Cartomancia
Vejo para ti, meu caro, um futuro cheio de possibilidades. Grandes avenidas pelas quais passará, vivas em sua memória (em detrimento das milhões de ruas, vielas, becos, alamedas que lhe passarão desapercebidas) . Seu universo pessoal será muito amplo, como o são tantos hoje; (mas desse amplo espaço, apenas uma pequena parcela será realmente … Continue lendo Cartomancia



