A moça aguarda no meio-fio. Aparentemente quer atravessar a rua - mas a idéia soa imprecisa, posto que não há carros passando e ela, ainda assim, aguarda. Ela olha para o lado de onde os carros viriam; está de frente à faixa de pedestres. Quererá ela atravessar? Se for esse o caso, o que a … Continue lendo Desterro
O inimigo de capa preta, a grande batalha final e as legendas com os créditos e agradecimentos
Adolescente, lembro que tinha devaneios e fazia planos de um dia escrever um livro que terminasse abruptamente, com poucas páginas, porque o protagonista tenta fazer algo arriscado, e aquilo dá errado, e ele morre ou fica paralítico. Dali se seguiria um breve capítulo em que o narrador conta que o livro seguiria com outras aventuras, … Continue lendo O inimigo de capa preta, a grande batalha final e as legendas com os créditos e agradecimentos
Da beira do mundo plano
... e tendo sido quase tudo por medo de não ser ninguém, à beira do caminho vê um engano; abaixando-se para alcançá-lo, percebe com curiosidade e espanto, ao levantar, que esqueceu-se, no caminho, o que deveria ter sido. Onde ficou? Revolve a terra de onde pegara o engano. Não, não está lá. … Continue lendo Da beira do mundo plano
Notas do obituário d’O Valenciano de dezembro de 1955
[Notas para o obituário de Boris Smirnakoff, que seria publicado na coluna "Personalidades" do jornal "O Valenciano", de 12 de dezembro de 1955. O obituário foi redigido por João Mendes e entregue aos cuidados do editor da seção de Personalidades de Valência (também encarregado das colunas de Esportes, Cotidiano, Notícias Internacionais e direção geral) Pedro Mendes. … Continue lendo Notas do obituário d’O Valenciano de dezembro de 1955
Carta de B.Smirnakoff a Nastasja
| o cartão postal reproduzido abaixo se encontrava sobre a carta; as condições de conservações de ambos eram deploráveis.| Prezada Nastasja, Assusta, se disser que ainda a amo? Não tenho como saber, e isso me entristece profundamente. Que aconteceu com você? Como foi sua festa de 18 anos? Fez faculdade? Casou-se? Teve filhos? … Continue lendo Carta de B.Smirnakoff a Nastasja
Em mim e eu
e tudo que se deu em mim. Não que seja muito Mas evidentemente dias e anos e lustros deixam suas marcas em formas múltiplas, incontáveis, exponenciais, e eu me vejo sendo muito mais do que de fato fiz de mim e me assusto com a minha própria sombra, muito maior do que jamais imaginei. E … Continue lendo Em mim e eu
Inefável – Pessoana #1
Falho e falível Assumidas as limitações Estabelecidos os contornos Postas as circunscrições Eis-me um As sombras do passado e futuro a fazer-me simples Os tempos e peles a fazer-me vivente Os arremessos, destemperos, o irremediável, e eu já o outro em mim O errante e o narciso a fugir de si, de si … Continue lendo Inefável – Pessoana #1
Ruínas de Slow dancing in a burning room
[Clique no link abaixo; se necessário, espere a música carregar para iniciar a leitura. http://www.youtube.com/watch?v=hX-nuY9LJAs%5D A história começa num ponto inenarrável. Seria absolutamente ineficiente e errôneo buscar verbalizações de pensamentos dele, ou flashbacks, cortes de cena, o que quer que seja; começa-se necessariamente com a cena, e o silêncio, dos dois. Eles se abraçam - … Continue lendo Ruínas de Slow dancing in a burning room
Distopia hiperbólica
Fonte: O Estado de São Paulo, 12 de julho de 2012, caderno Cotidiano, Pág. C10. CET registra redução de 90% no trânsito da metrópole nos últimos 3 anos Prefeitura considera série de medidas um sucesso - "estamos construindo a São Paulo que todos querem ver", afirma Kassab. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- São Paulo tem passado por uma série … Continue lendo Distopia hiperbólica
Os poros do chuveiro
[ Trilha sonora sugerida: http://www.youtube.com/watch?v=SfVBDBcWuA0 ] 3 dias. Banho. Barba, louça, roupa, mesmo os pensamentos. Banho. 3 dias. Bizarro. Ridículo. Incompreensível, inimaginável. E não faz o menor sentido. Eu sou uma pessoa absolutamente normal; eu era uma pessoa normal. Eu sou. Não. Não, não é, tudo certo, é isso. Banho. … Continue lendo Os poros do chuveiro




