Mais uma vez o encontro superou suas expectativas: dão-se tão bem que não trocaram palavra a noite toda, saindo do bar entusiasmados e cheios de idéias.
Combustão
Seremos, eu e tu, fumaça. Sabes, e é do tempo que seja quando for, quando será; que sejam nosso destino e acaso, de hoje em diante, magnânima entrega: entreguemos nome e idade e gravata e chapéu ao sabor do vento, ao corroer do tempo, ao explodir das bombas, ao rugir das ordens, ao correr dos homens, … Continue lendo Combustão
Coragem, passagem [Tríptico]
BORI M'Zifi, senta. M'Zifi é trabalho de Exu, tu sabe disso, tu? Tem trabalho pra tu, senta reto, olha forte, estufa o peito, seje homem, tu. [...] M'Zifi, é tempo de muda, e a morte desembucha a foice o bonito do esquisito. Usa o medo, M'Zifi, usa o medo e lava da cara o verniz … Continue lendo Coragem, passagem [Tríptico]
O último elefante branco
Quem diria: o moleque cresceu. Joguei a bola tratando-o como um café com leite e ele respondeu sem hesitação, sem meias ações, intolerante: acertou a bola em cheio, com firmeza; olhou para mim, sorriu e disse: “faz tempo, não é, tio?”. Quem diria. Decidi trata-lo como adulto, a partir dali. Jogamos por mais de uma … Continue lendo O último elefante branco
Morre um poeta
“Pro homem no barraco já começa mais um dia”; Eder acorda feliz com o verso, mas a sequência lhe escapa quando olha o relógio – o chefe não vem hoje, ele precisa chegar mais cedo e checar a escala, ligar pra quem costuma não vir, enfim: atrasado, já. “Busca a felicidade, esbarra na verdade/ Desiludida, … Continue lendo Morre um poeta
Um copo inteiro vazio
Eu perdi um amigo. Perdi um amigo, e não faz sentido nenhum. O contato já não era aquele, a proximidade da bateria e do videogame já eram só a intimidade de uma memória compartilhada, abrindo espaço em meio ao estranhamento de estarmo-nos tornando adultos. Coisa estranha, ter essa dificuldade de horário. Coisa estranha, a pressa. … Continue lendo Um copo inteiro vazio
Fim de tarde
Tarde! Trouxe a gaita? Bom. Tem palha? Bom, agradecido. O seu arlindo não passou hoje, é capaz de nem ter tido aula. O arlindo encrencou com o moço da cisterna, deve ter mexido com os nervos dele. Ele me contou depois por que o moço da cisterna merece desconfianças, pelas leituras dele o moço das … Continue lendo Fim de tarde
O açougue
NOTA: escrevi este texto por ocasião de uma disciplina de pós-graduação, mas pareceu-me literário e genérico o suficiente para ser postado aqui. Estava aqui pensando: se uma senhora me pedisse para explicar em poucas palavras o que pesquiso, de forma que ela pudesse compreender, o que diria? Acho que diria algo assim: "tento entender por … Continue lendo O açougue
O homem triste
Por onde o homem triste passa, deixa atrás de si um rastro de fogo, chamuscando, como querendo apagar e tornar-se cinzas, mas que ainda por longos dias insiste, insiste, como se o calor que o consumisse emanasse do coração mesmo da terra. Imagina-se, porque faz sentido, que o rastro de fogo que o homem triste … Continue lendo O homem triste
A dança alvissareira das palavras-ninfas
Uma parente muito querida responde a uma notícia minha postada em rede social, dizendo que a notícia era "alvissareira". Fiquei muito feliz, mesmo não sabendo exatamente o que significava. Afinal é fácil imaginar uma notícia alvissareira voando por aí, passarinhando, ou uma notícia alvissareira passando jovialmente pela multidão em alguma festividade medieval, lançando pétalas de … Continue lendo A dança alvissareira das palavras-ninfas


![Coragem, passagem [Tríptico]](https://i0.wp.com/www.tritoneyewear.com.br/blog/wp-content/uploads/2014/02/1102_capa.jpg?resize=1100%2C9999)



