http://www.youtube.com/watch?v=RRMz8fKkG2g Piano Toco virava, só, na cama, dormiria ainda; mas a luz da cozinha pegou seu olho que piscava, coisa boba de sono leve, e tirou Toco dos braços do esquecimento. A perna tinha fugido da manta, e estava fria; o braço direito estivera por tempo demais preso debaixo do corpo, e mesmo o magro … Continue lendo Chiqueiro dos Homens – Adágio em tom menor
Categoria: Literatura
Acorda, amor (dubstep remix)
Eu, irritado, avesso, arisco, pouco fiz antes de ir dormir. Ela, meio entediada, ressentia-se de minha indisponibilidade, lançando em acusação dejetos da outra metade dela, a metade carente. Pouco falamos, na verdade. Meu dia, o ruim que foi meu dia, notícias esparsas sobre as licenciosidades das amigas dela, do absurdo dos acasos da rua, ah! … Continue lendo Acorda, amor (dubstep remix)
Some cave within (em ingles)
Yes, yes, I can certainly claim it to have started in that disastrous conversation with the German woman. But has it not been there for some time now, quietly resting, imminent, callous, unavoidable like a dragon in a cave? It certainly seems so, at this point. There has been this link, this unexpected and uncalled-for … Continue lendo Some cave within (em ingles)
As incríveis aventuras de Agenor, o Cotidiano
Às vezes o excesso de açúcar da Coca estraga o efeito do excesso de gelo e de gás; é uma pena, porque no mais das vezes a Coca comparece simplesmente para dar essa sensação estranha de uma espécie de leveza eufórica, uma espécie de filhote mal-gestado do gás com o brain freeze. De qualquer maneira, … Continue lendo As incríveis aventuras de Agenor, o Cotidiano
O burrinho e a lírica
Acordou, e ele era um burro. Não pelo Q.I., nem por murros que se daria em pontas de faca. Não pela fraca intuição dos fatos, mas pela certeza incólume ao não-saber, pelo que em ser-se incerto o burro impõe-se ao médio, e por saber-se falho encontra os atalhos que o levam longe sem … Continue lendo O burrinho e a lírica
Se numa noite de inverno
Frio, frio abraço da indiferente noite. Arremessado às vazias circunstâncias da massa inquieta perpasso-me em parnasianos devaneios e aconchegantes calafrios, anacrônico, estranho, alheio. Dissolvo-me no ondear de uma linguagem que, me invadindo, não me pertence, apagado como uma vela encerrada na parafina que a contorna em vida. Sendo em sido, historiado em … Continue lendo Se numa noite de inverno
Teotônio luz e sombra
Nascido em uma noite chuvosa e sem lua, Teotônio definiu-se ainda jovem um valoroso cavaleiro, um guerreiro das luzes. Nem bem entrara em anos e já se arrojava, impetuoso, em busca de sinais de sombra e incerteza contra os quais se poderia bater; era um homem com uma missão antes mesmo de ser homem. Sagrou-se … Continue lendo Teotônio luz e sombra
Aurora
Já posso antever o momento do encontro com Aurora. Acelero, sinto o carro mais leve, sinto a iminência da história a cada curva, sinto a amplidão da paisagem e do mundo e da vida. Aos poucos Aurora vem, e estamos juntos. A essa hora da madrugada não há ninguém na estrada, e as luzes … Continue lendo Aurora
O caminho a Teotônia
Eu havia jurado da última vez que nunca mais voltaria lá. Ela já havia mostrado antes os talentos, assombrosos talentos de que dispunha para me pegar desprevenido, desvendar um canto ainda inexplorado da pouca sensibilidade que eu imagino ter à disposição. Jurei que não voltaria e, até recentemente, estive conseguindo cumprir à risca minha … Continue lendo O caminho a Teotônia
Lobos tranquilos
Ela estava na cozinha. Por cima da bancada eu acompanhava seus movimentos para cá e para lá, envolvida com o cotidiano e só com ele - é claro que havia as louças e as roupas e as comidas e tudo, mas o fato era o cotidiano, era o cotidiano que ela vivia e era isso … Continue lendo Lobos tranquilos


