O homem da tempestade (uma parábola)

Há algum sinal de mudança, talvez – um esgar de claridade, um indício de duna. Há uma presença do tempo, a insinuação de um tempo a existir, algo que só as bordas, a falhar, denotariam. Algo disso ocorre ao Homem da Tempestade, ainda que, aparentemente indiferente, ele siga, sem rumo, como haveria de ser, mas … Continue lendo O homem da tempestade (uma parábola)

Alice na trincheira

  Este não é um texto de ficção, é apenas o relato de um acontecimento fantástico. Recebi, entre junho e agosto do ano passado, as cartas que abaixo torno públicas. Não sei por que as recebi, nem quem as enviou; investiguei a possibilidade de se tratar de um erro dos correios, ou material publicitário insólito, … Continue lendo Alice na trincheira

Demora

Ao Martin, ao seu ser de outro tempo, e ao meu não entendê-lo o melhor que posso Corre o tempo. Corre como um rio, convida à serena habitação de seu burburinho. Em meio ao outro, menor, mais afoito burburinho, corre o rio em seu mudo, pacato, inevitável, inaudível burburinho. Habitar o sereno burburinho do tempo … Continue lendo Demora

o tempo e o vale

Dizem que há um pequeno vale, aninhado confortavelmente nos recônditos de alguma das grandes-cada-dia-menores florestas, um pequeno vale desconhecido aos mapa-múndis e aos coletores de impostos. Esse pequeno vale alheia-se às civilidades cercanas e basta-se em saber-se coração da mata, saber-se selva, clareira na selva como benesse da selva e em benefício dos seus. Nesse … Continue lendo o tempo e o vale