Pra mor de ver minha própria sombra, eu ando muito de costas. É curioso, mas tropecei pouco, mesmo assim. Quanto mais a sombra cresce, mais eu olho pra ela. Quanto mais eu olho pra ela, mais fácil ver ela crescer. Isso tem acontecido tanto que já há um tempo eu não sei … Continue lendo .
Tag: cotidiano
Such doubts
A própria forma como eu escuto já é marcada pela expectativa de algum absurdo. Na semana anterior tive a oportunidade de ouvir um eminente defender parâmetros de "gestão de sociedade" a partir do cômputo da perda de anos de vida saudáveis - do ponto de vista da economia? Não! Da gestão do sistema de … Continue lendo Such doubts
Presságio ou Formatar/Resetar/Ejetar 2
Recebi de troco na padaria uma nota de dois reais em que estava escrito, em letras garrafais: "EU ODEIO VOCÊ". Espantei-me, depois, com a minha reação: olhei intrigado e questionador para o caixa, como se perguntasse a ele "por que você me odeia?". O caixa, e me pareceu óbvio quando o vi … Continue lendo Presságio ou Formatar/Resetar/Ejetar 2
Exílio Mudo
O sol nasce – ou tenta. Nuvem, neblina, fumaça, cortina, algo se põe entre o mundo e ele mesmo; do alto do prédio, de dentro do concreto, mas através da janela, nada se vê além do palmo diante do nariz que me cabe. Desse palmo, posso ver meu apartamento, meu umbigo – do ventre para … Continue lendo Exílio Mudo
J
Era um homem novo. Como todo homem novo, tinha um futuro brilhante, sabia como o mundo era e como as coisas deviam ser. Inconformado. Brilhante. Aos 30 e poucos, doutorado recentemente conquistado, psiquiatra de renome crescente, J parecia daqueles destinados a fazer a diferença. Na instituição que ajudara a fundar, era a figura … Continue lendo J
impertinências
Talvez seja simples. Talvez seja assim. Talvez toda essa história d'a soma dos medos, a soma dos atos etc. não passa de baboseira e o homem é o que é, um punhado de acasos, uma esquina de mundo sem número, um conjunto de impertinências. E a soma dos erros e dos medos não significa absolutamente … Continue lendo impertinências
Resetar/ Formatar/ Ejetar – 2001
Ficou assim, pasmo, como que congelado, quase um minuto. O terno caiu assim que deparou-se com aquilo, jazia agora lá, no chão. Já a maleta, essa ele não largou, tinha-a consigo, apertava com força a alça, seu ponto de apoio em meio à confusão. A mão livre tremia, uma espécie de tilt; coisa estranha. … Continue lendo Resetar/ Formatar/ Ejetar – 2001



