Ora vejo que me acompanham, ora vejo que me perseguem, ora vejam o tipo de absurdo a que me submetem, tomem nota, compadres, tomem tento, tem gente com medo de gente de dentro, e gente temendo que venham de fora os terrores maus tempos de infernos por vir, dizem que chamam na coreia, a do … Continue lendo Gente, é urgente, juro
Categoria: Literatura
O que te marca?
Olha pra mim, olha pra mim e diz do que te marca. Marcam-te as cruzes, As luzes De Natal e de shopping Ou os berros dos homens, Imagens de santo? Marcam-te os louros, Os ferros e os fogos, As mortes de idosos crianças nos morros, Marca-te a dor dos pobres que, Pobres, Sofrem sem … Continue lendo O que te marca?
Finados
Se eu disser, quando eu disser, eu te digo dos possíveis. Sei que a gente não se fala muito, sei que faz tempo, mas repara: quando eu te procurar e te interpelar é em nome dos possíveis. Não passa muito por mim falar do que é, do que eu penso que é, do que seria … Continue lendo Finados
Isolina
Isolina, minha avó.Muitas outras imagens, lembranças, muitas outras Isolinas há; a que conheço, se é que conheço, é minha avó.Eu acho que a conheci de verdade no período em que ela, aos poucos, se desconhecia. O acaso ou coisa que o valha me levou para perto dela quando os ares mudavam, seu castelinho desmoronava, suas … Continue lendo Isolina
January Hymn
On a winter Sunday I go To clear away the snow And green the ground below April all an ocean away Is this the better way to spend the day? Keeping the winter at bay The Decemberists, "January Hymn" Hmpf... acordou, é fato. Ele virou de lado na cama; não que pretendesse voltar a … Continue lendo January Hymn
A vida do Alcides, e a morte
Tinha acabado de recomeçar e já precisava parar de novo – menos de dez minutos, dessa vez, e o maldito tremor já estragava o corte da plaina. Ainda bem que não tinha pensado em nenhuma grandiosidade, nenhum recorte arrojado, imagine só, não terminaria! Olhou para a placa de madeira, já com os ângulos quase prontos. … Continue lendo A vida do Alcides, e a morte
Se eu pudesse comer livros
Sempre pensei que eu não pudesse comer livros; na verdade, sempre acreditei que os livros não servissem para nada, fossem anti-pragmáticos meio que por definição – Borges diz que são um dos artefatos mais curiosos criados pelos humanos, e eu acabei adicionando por conta própria a desfuncionalidade. Assim, eles servem para alguma coisa, claro … Continue lendo Se eu pudesse comer livros
Esquadros
Eu ando pelo mundo, e eu presto atenção. Ando a pé, ando de ônibus e metrô, também, feliz, e ando de carro quando preciso; prestar atenção eu sempre presto. Presto atenção, como a Calcanhota, em cores que não sei o nome, mas não as dela, não as de Almodóvar ou de Frida Kahlo … Continue lendo Esquadros
Beckett on the curb
They said it, sure they did. Actually, they’d warned me long ago, I could’ve avoided it in many many ways, but as has been blatantly established, beyond doubt and for all that counts, it has been blatantly established that lives flow amidst tides and storms and all our efforts to convince ourselves we decide anything … Continue lendo Beckett on the curb
Vida Loka
Primeiro vem a pontada na cabeça – agora só a agulhada, já já explode mesmo. A língua tateia receosa a boca seca. Primeiro ele aperta os olhos, cria coragem, e então estrala os olhos, assim de repente. Que casa é essa? Ele está pelado, um lençol de seda bordô jogado cobrindo os pés. Alguém atrás … Continue lendo Vida Loka





