Pista de pouso sem número, área rural

Eu que não tenho. Que não teria. Eu, e as ideias que se me ocorrem, e que em geral são muitas. Eu, que vivo e penso em meio a textos não escritos, quando me proponho a escrever escrevo, em geral, sobre nada. Eu, que me encanto pela vida dos "cá dentros", atento sempre à falácia … Continue lendo Pista de pouso sem número, área rural

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Monte do bom engano

  Parece que vai chover.   Você adorava quando estávamos aqui e chovia, lembra? Ficava animada à espera do momento em que a chuva cessaria, quando poderíamos sentar na varanda e apreciar as cores, os sons, os cheiros.   Acho que você sabia que eu não percebia muito do que a encantava, não sabia?   … Continue lendo Monte do bom engano

O pequeno rei e o vulto no fundo do espelho

Ele senta, afundando-se na poltrona[1]. Com alguma grandiloquência repousa os braços ao longo dos braços da poltrona; parece agora um pequeno fantasiando-se rei, postado imperiosamente em seu trono.   Volta o rosto levemente, lentamente, para um lado, os olhos fechados, estufando o peito com algum pesar.   Ele sabe que ela não vem; sabe que ninguém … Continue lendo O pequeno rei e o vulto no fundo do espelho

Breve devaneio, dois dias depois de encontrada a carta sobre a mesa da sala quando imaginou que tudo estava bem

  Ele teria um barco, e seu barco se chamaria "O desengano".   A bordo do desengano ele singraria mares e vidas, e a dor de uma amizade rompida, e uma estadia num país estrangeiro trocado por outro ainda mais estrangeiro, porque ele ama a vida e não as coisas da vida e seu tempo … Continue lendo Breve devaneio, dois dias depois de encontrada a carta sobre a mesa da sala quando imaginou que tudo estava bem