"Se você quer tanto escrever, por que não escreve?". Quem me perguntou isso foi o Gus, com quem morei numa república por memoráveis dois anos e meio da graduação. Eu vivia falando que precisava abrir espaço na agenda, porque fazia coisas demais etc., até que um dia ele se cansou da lenga lenga e soltou … Continue lendo Dias oitavos
Tag: criação
O homem da tempestade (uma parábola)
Há algum sinal de mudança, talvez – um esgar de claridade, um indício de duna. Há uma presença do tempo, a insinuação de um tempo a existir, algo que só as bordas, a falhar, denotariam. Algo disso ocorre ao Homem da Tempestade, ainda que, aparentemente indiferente, ele siga, sem rumo, como haveria de ser, mas … Continue lendo O homem da tempestade (uma parábola)
Nanquim
Já antes do mergulho, entregue apenas à aparência e à vivência que evoca, já antes do mergulho o mergulho é um mergulho. É que o nanquim é de um negro profundo, é a presença brilhante de uma textura robusta, ostentosa, ciente de si, provocante. Já antes do mergulho, portanto, só pela perspectiva do mergulho, o … Continue lendo Nanquim
A musa e o monstro
Eventualmente pareceu-me evidente que, quisesse manter em bons termos a vida com a arte que me cava os ossos, teria de haver-me em confrontação, por bem ou por mal, com a necessidade de inscrever em meus dias o ócio. Ócio, veja, que me doi, posto que me expõe a esse aperto que é, de fora … Continue lendo A musa e o monstro
ESCRITA, OFÍCIO COMUM
Luiz Ruffato, 52 anos, escritor mineiro, autor de Eles eram muitos cavalos e tantos outros livros, concedeu entrevista a José Castello, publicada na edição eletrônica do Valor Econômico[1] em quinze de fevereiro deste ano, à meia-noite em ponto – imagino que Castello tenha entregue sua entrevista antes, e que ela tenha sido programada para ir … Continue lendo ESCRITA, OFÍCIO COMUM
Eu faço angústia e branco até mais tarde e tenho muita fome de manhã – buarqueana #1
- Um café e um pão na chapa, faz favor. Da mesa do canto, encostado à janela, vê-se o mundo acordando do lado de lá - os carros que passam, disciplinados e indolentes, infalivelmente presentes à procissão do dia que vem; a moça que vende os bolos com gosto de água de torneira, o … Continue lendo Eu faço angústia e branco até mais tarde e tenho muita fome de manhã – buarqueana #1


