Frátria armada, Brasil

Preâmbulo

Trata-se, nas páginas que seguem, da composição do mapa político das terras outrora conhecidas como “Brasil”, ou seja, aquelas situadas no cone meridional Leste das terras a Oeste do Atlântico. Ninguém sabe ao certo quando e como se teriam dado as transformações que levaram à atual geografia política – dividida entre Googland, no Sudeste, as Terras de Bacurau, ao norte e Nordeste, as Terras de Almíscar ao Sul, separadas do restante do ex-país por uma grande muralha, e a Terra dos Escolhidos a centro-oeste e noroeste. O mais provável é que o Reich de Bolsonero, nos anos 2020, teria cumprido um papel relevante no colapsamento desse estado de coisas, bem como o “grande Êxodo” deflagrado pelo Reich e pelas Pandemias Chinesas, ocorridas neste mesmo período. Ainda assim, é prudente da parte do leitor manter em vista o caráter elusivo dos acontecimentos aos nossos olhos, por força das ditas “disputas narrativas”, das diversas queimas de arquivos e documentos históricos e da rapidez dos acontecimentos.

1. Escolhidos

Quando eles chegaram, eram uma onda – cada qual uma gota, mergulhada em um vasto Todo, todos indelével e estupidamente destinados à redenção e à glória de tudo e de nada. E eles sabiam o que tinham que fazer.

Eventualmente, quando a hora destinada chegou, seu líder se manifestou, e em torno dele eles se reuniram; de início os descrentes não os respeitaram e não os levaram a sério; mas eles não fraquejaram, e perseveraram em sua convicção, e sua convicção fez-se palavra, fé e destino.

Seu líder, como todos os grandes, despertou a fúria, e por isso foi atacado por ferro e fogo e por multitudes de palavras vãs; no entanto, por ser escolhido e destinado, ele sobreviveu, e a cada golpe fez-se mais resoluto. As palavras em torno de si formaram um vasto vórtice, tragaram as incertezas dos incertos e o recato dos recatados. A certeza reuniu-os, qual rebanho, e eles já não poderiam mais ser detidos – o Deus da Glória, o Deus da Verdade e o Deus Mercado estavam todos com eles, e nada poderia pará-los.

Houve então um primeiro período de glória, a Ascensão, quando seu movimento alçou vôo sobre os pecadores, os incertos e os comunistas e, a despeito de tudo e de todos, seu líder uniu a nação então conhecida como Brasil sob seu condão e seu chicote. As provações, entretanto, apenas começavam, pois os incautos, e os pecadores, e os comunistas, todos aqueles fracos em fé e brio o questionaram, o sabotaram, o denunciaram, perseguiram-no torpemente e sem descanso, e não pararam ainda que a nação se tornasse frágil e quebradiça ao sabor dos vis ataques. Mas o líder manteve sua fé e sua liderança inabaláveis, os bridões da nação briosamente seguros junto a si, e por isso os criminosos levaram a união da terra à derrocada, incitando violência, crime e pecado por toda a vasta terra.

Todos aqueles fiéis à liderança e à palavra do redentor sabiam que esse momento viria, aguardavam por ele dia após dia, e quando o dia enfim chegou eles estavam prontos: portavam já suas armas e suas certezas, seguiam fielmente as orientações de seu líder e daqueles que o representavam, e foi assim que, estando destemidos e certos de seguirem o caminho da retidão, eles se fizeram falange. Muitos morreram, e o caos ameaçou sua integração e testou sua fé. Os mais fortes, os verdadeiros seguidores foram enfim para junto de seu líder, no coração da Nação, e defendiam a seus pés, com toda sua fé e sua honra, o futuro, a verdade e a vida que ele, e só ele, representava.

Aos poucos, como os infiéis eram muitos, eles foram acuados e cercados: os caminhos que desciam o Planalto em direção ao mar revelaram-se imperscrutáveis, entregues às forças malévolas dos comunistas, cangaceiros e demais pecadores; igualmente perdidas estavam as terras meridionais, com aquelas a Sudeste tomadas para além da esperança pela Administração de Googland e aquelas no Extremo Austral isoladas dos conflitos e disputas (o Grande Muro ainda não estava lá materialmente, mas os habitantes daquelas terras já se desligavam das coisas relativas à nação brasileira, e crescentemente se organizavam enquanto colonos). Desta feita, restou às forças da Grande Onda a consolidação de seus domínios a Noroeste e a Centro-Oeste – e assim foi que as terras defendidas e ocupadas pelos Escolhidos partiam de Brasília em direção sul até a cidade de Presidente Prudente, a Oeste chegando até as divisas da então nação de Brasil, e ao Norte igualmente até onde podiam.

Os antigos territórios de Brasil, no entanto, mudavam rapidamente seus contornos e características nestes tempos. E por isso, enquanto as forças da Falange se batiam com as diversas hostes de detratores ao Sul e a Leste, avançavam e consolidavam seus domínios em direção ao Norte, colonizando e civilizando as terras selvagens, inúteis e imprestáveis até então. Deram-se nestes tempos os chamados Anos do Fogo, quando as florestas e os povos primitivos destas terras foram tomados por empreendimentos colonizadores, dobrados pela força e majestade dos escolhidos e de suas máquinas. Em pouco tempo consolidaram-se então os Grandes Campos, que se estendiam desde os limites noroestes de Googland – a partir de onde, inclusive, muitos prisioneiros retidos em Presidente Prudente foram libertos, passando a integrar as fileiras da Grande Onda – passando pelo Pantanal e pelos prados e plantações de Mato Grosso, estendendo-se ao Norte até onde houve forças, armas e colonos com que sustentar o movimento.

Mas os grandes empreendimentos civilizadores conviviam com as ferrenhas batalhas que tomavam Brasília, e fatidicamente, enquanto os Grandes Campos transpunham as águas do rio Purus e se aproximavam do grande Amazonas, a saudosa capital, chamada pelo Líder de “Nossa Nova Jerusalém”, foi perdida. Habitada por homens de cobiça e ganância, tomada internamente pela discórdia dos infiéis e, nas fronteiras, objeto de investidas bárbaras das forças ilegítimas de Googland e dos bandos agrestes de comunistas e cangaceiros, a cidade era atormentada por cobranças vis pautadas por discursos mesquinhos de “direitos”, “minorias”, “globalismos” e outras balbúrdias; a suprema autoridade do Líder era testada e questionada por canalhas e corruptos do velho sistema, atacada pelos infiéis e invasores. Ainda assim, o Líder batalhou e perseverou e sua fé não se abalou em momento algum; mas a corrupção e a fúria dos infiéis era implacável e por isso o Líder, em sua sabedoria, percebeu que Brasília haveria de cair para a glória dos Eleitos. E assim, num dia memorável, a Falange submeteu Brasília ao fogo, destruiu a cidade e estabeleceu seu governo irradiando-se a partir da cidade de Cuiabá, onde o Líder doravante instalou-se.

A Falange, assim, livrou-se do jugo internacionalista que “Brasil” exigia de seu líder, e pôde organizar-se de forma mais liberal, tradicional e eficiente. Seus habitantes foram todos declarados membros das Forças de Defesa, devidamente armados e distribuídos em unidades produtivas; elegeram-se cidades a ser preservadas, as demais sendo abandonadas para maior glória e eficiência da Terra. As comunicações foram simplificadas, com a instalação de agências oficiais de informação e taxação, a partir das quais agentes do Governo visitavam as unidades produtivas transmitindo as informações pertinentes e avaliando a eficiência dos trabalhos. A partir de então, os registros e comunicados oficiais, organizados numa plataforma chamada Twitter, dão notícia de um período de riqueza, alegria, segurança, saúde e bem-estar, benesses sempre crescentes, ameaçadas única e exclusivamente pelas ameaças insistentes dos comunistas e cangaceiros de Googland e das Terras Esquecidas, que vez ou outra explodiam bombas, matavam e desapareciam com algumas pessoas em meio aos Escolhidos – mas eram sempre prontamente encontrados e punidos pelos Mouros (agentes de vigilância, julgamento e punição que efetuavam a segurança pública nas Terras Escolhidas).

Isso mudou, evidentemente, com a Grande Expansão, quando os Escolhidos passaram a combater com habitantes das Terras Esquecidas; mas esses acontecimentos não serão narrados nestas páginas.

2. Unicórnios

A ascensão dos Escolhidos ter-se-ia dado concomitantemente à organização da Administração de Googland, instância administrativa que influenciava diretamente os acontecimentos em toda antiga região Sudeste de Brasil (indiretamente, diz-se, a Administração influenciaria todas as demais regiões do cone Sul) durante o período de que ora tratamos. Conforme os registros disponíveis, é da consolidação desta Administração que aqui trataremos.

O campo das hostilidades entre as instâncias federal e estadual grassariam ainda há pouco tempo quando, parcamente noticiada, veio a público a insólita iniciativa segundo a qual a Prefeitura de São Luiz do Paraitinga estaria abrindo todo seu cabedal administrativo a uma parceria com a iniciativa privada. Ninguém teria podido entender, porque pouco se dizia a respeito, e foram diligentes as tratativas por meio das quais se anunciaram os concorrentes (Amazon, Alphabet, ByteDance, Petrobras e Solar City assumindo destaque), todo o restante do processo tendo tido a tramitação posta em sigilo; ter-se-ia sabido, apenas, da exclusão da Petrobras, julgada incompetente nos termos do chamamento, por conta do alvoroço deflagrado pelo governo federal diante da exclusão – alvoroço que daria prova de qual teria sido a motivação verdadeira da exclusão, a saber, a inclusão da Petrobras como “olheira” (nos termos do então governador) do governo federal sobre o processo.

Nunca se compreendeu propriamente como se constituíram as redes de alianças que permitiram toda a orquestração do arcabouço legal que tornou viável a venda; fato é que toda ela se organizou, em votações discretas e com vitórias arrasadoras em benefício dos interesses de quem quer que tenha organizado a primeira, e desde então a mais dramática, privatização de uma cidade brasileira.

O acontecimento, pouco noticiado desde seus primórdios, seguiu tão desaparecido dos olhos e opiniões populares por um tempo, até que a transferência da sede e dos escritórios do Google no Brasil, de São Paulo para São Luiz do Paraitinga, foi efetivada. A partir daquele momento, rapidamente a mudança teria se processado: alguns milhares de funcionários se mudando da capital em direção a São Luiz, acompanhados da primeira onda pioneira de empreendedores que já começaram a instalar suas cafeterias, restaurantes e food trucks nas ruas da até então interiorana cidade; os “nativos”, no mesmo período, teriam se dispersado pelos arredores, suas casas, estabelecimentos e propriedades compradas por valores com que eles sequer sonhavam até então.

Com a instalação de alfândegas nos dois acessos rodoviários à cidade, a administração de São Luiz teria conquistado a inimizade declarada do governo estadual, que prontamente teria iniciado denúncias e acusações relativas ao descumprimento do (ainda sigiloso) contrato de parceria. Coincidentemente, no entanto, o alvoroço cessou na semana seguinte, quando um escândalo de corrupção devastou o governo estadual – que logrou sua saída da crise, mas silenciou quanto à administração de São Luiz. São Luiz que, nessa mesma época, foi rebatizada, após amplo debate e numerosas enquetes no aplicativo oficial dos habitantes – desde então, os habitantes da notável cidade-empresa referiam-na como Googland, e seus habitantes passaram a ser oficialmente chamados de unicórnios.

A maioria dos unicórnios morava na cidade há pouco tempo, tendo mudado depois de sua aquisição pela Alphabet, de forma que a dinâmica radicalmente transformada da cidade não teria causado incômodo à maioria de seus habitantes. Ainda assim, alguns habitantes da antiga São Luiz permaneceram, tendo encontrado ocupação como prestadores de serviço, cozinheiros e outras funções que aos unicórnios pouco agradavam, e tendo encontrado habitação nas periferias da cidade, nas chácaras e sítios e fazendas que iam se tornando mais distantes conforme Googland crescia; pois bem, esses antigos moradores da cidade teriam sido ao longo dos primeiros anos de Googland acusados de oferecer apoio logístico para as invasões e ataques que sucederam nesse período – ataques rapidamente contidos pelas empresas de segurança que patrulhavam a cidade, mas que lograram causar algum alvoroço e uma ou outra fatalidade.

Pois bem, por estes tempos a inteligência administrativa de Googland, de qualquer forma, teria detectado um padrão potencialmente ameaçador na detenção destes agitadores e criminosos no Complexo Penitenciário de Tremembé, e decidiu (após análise de alguns milhões de cenários testados em realidade virtual) pela aquisição do Complexo Penitenciário junto ao governo estadual. O governo estadual, a esta altura, estaria gravemente comprometido financeiramente, devido à evasão de suas principais startups e agências financeiras rumo a Googland, de forma que a negociação parecia dura e humilhante, mas inevitável; e com esta manobra a administração de Googland logrou um salto triplamente vantajoso: estabeleceu as bases de sua central nacional de servidores e inteligência, que passaram a ocupar o antigo Complexo Penitenciário; afastou e dispersou os detentos nas incursões contra Googland, que passaram a ser recolocados nas penitenciárias e casas de detenção remanescentes (todas distantes da crescente Googland); e conquistou um vasto terreno na região de Tremembé, permitindo um rápido avanço na perspectiva de adquirir Taubaté para Googland (calculada pela inteligência administrativa).

Nada há de particularmente notável nas conquistas seguintes, relativas às administrações de Taubaté, Pindamonhangaba e da região de Campos do Jordão e arredores; similarmente, nada há de notável na conquista de Ubatuba e das demais cidades litorâneas paulistas; as conquistas teriam sido calculadas e implementadas à perfeição pela inteligência administrativa de Googland, e teriam transcorrido sem sobressaltos. Entre os unicórnios ter-se-ia proliferado a brincadeira segundo a qual a antiga São Luiz seria o “novo Condado”, termo que rapidamente ganhou tração na rede social de Googland e foi, portanto, adotada e implementada oficialmente; Campos do Jordão e arredores tornaram-se conjuntos de casas de veraneio, depósitos de insumos e commodities e habitações para os prestadores de serviços, que passariam diária e tediosamente pelo “cinturão industrial” de Taubaté e Pindamonhangaba nos trens de alta velocidade construídos precisamente para estes fins. A implementação da administração pela Inteligência, a dispersão dos antigos “colonos” (como eles eram chamados pelos unicórnios) e a “compra” (ou “contratação em regime de prestação de serviço a tempo indeterminado”, segundo a terminologia da Inteligência) de novos colonos teria se dados nestas novas terras com muito menos alvoroço – ninguém sabe se isso teria sido devido à maior eficiência e menor resistência ou se se deveu ao aprendizado da Inteligência em supressão de eventos e informações (é possível, evidentemente, que a diferença seja mínima).

As alfândegas, nesse período, teriam passado a ser mais bem guardadas, posto que os ataques e tentativas de invasão teriam ganho volume, frequência e ímpeto; tudo isso, de qualquer forma, tendeu a sumir, e eventualmente sumiu, conforme o Estado de São Paulo minguou, e as terras das antigas cidades vizinhas foi ocupado por bots a serviço da Inteligência Administrativa (supostamente por conta de novas aquisições de terrenos junto ao Governo do Estado, ainda que nada se saiba a esse respeito).

3. Esquecidos

Se os habitantes das terras de que aqui se trata o referissem por qualquer nome, seria este que usaríamos. Posto que não o fizeram, chamamo-la por um dos tantos nomes através dos quais os unicórnios de Googland e os Selvagens das Terras dos Escolhidos a ela se referiam (“terras de Bacurau”, neste contexto, serve tanto quanto “Norte”, “Nordeste”, “Bahia”, “sertão”, “Paraíba”, “Terra Esquecida” e tantos outros termos adotados neste contexto). Sem que tivessem sido nomeados por si sós, todavia, é deles que se há de tratar, ainda que se façam escassas, eventualmente, palavras e registros.

Conforme, nos anos 2020, máscaras se vestiam, para que mortes se evitassem, e conforme máscaras caíam, e mortes urgissem, urdia o destino as tramas que trazia os esquecidos de volta ao mar da seca a cuja árida liberdade estiveram, noves fora, condenados desde sempre. As urbes sangraram suas gentes, ao sabor dos vírus e coronéis e dos novos hinos, e repentes, e cordéis. Estados, que por ali houvera, se despiram de seus ternos e escancaram suas ávidas bocarras, e quem podia – e muitos puderam – quem podia evadiu as urbes, e as cidades se fizeram repletas de vazios e escassas de gente.

Houve guerra nos cangaços, nos sertões, nos vilarejos; os Estados e os coronéis escancaravam suas bocarras em busca de gentes, em busca das vidas e dos recursos das gentes; mas o povo fez-se guerreiro em meio à vastidão oceânica do sertão, aferrou-se ao desespero e à fome e à vontade de viver morrido, tendo vivido o pouco que se há para viver; o povo fez-se hirto cacto, e muito se queimou e ceifou, mas a seca trouxe enfim o fim da fome fula dos homens de dinheiro, que aos poucos e muitos se puseram descrentes de valor que ali houvesse, e os helicópteros debandaram os coronéis e a vastidão oceânica do sertão viu-se entregue à sorte de novos monstros e bichos e horrores que conjurasse de suas próprias entranhas.

Importava pouco, no horizonte infinito do sertão indiferente, e os cordéis foram-se aos poucos escangalhando; bandeiras, tendo quarado sob o sol inclemente pelo tempo não contado das vidas curtas de toda aquela pouca gente, bandeiras perderam suas cores, e se fizeram todas brancas de uma paz opaca, lençol ralo para camas de palha, tecidos sem tinta para uma história desimportada de si. E viveu-se, ali, em infinitos imóveis, viveu-se ali poesias brutas, desfeitas de palavras que as contivessem, desfeitas de ouvidos que as acolhessem, desfeitas de destinos que as amarrassem do lado de lá – redes a pender estúpidas ao rés do chão.

Se um dia eles se importassem; se um dia eles escolhessem; se um dia ao céu bradassem, arados brandissem, se histórias narrassem e direitos colhessem; se um dia eles se olhassem, e se reunissem, e se as mãos se dessem e, de tão tantos e de tão unidos, se o céu escurecessem; se os céus enfim se dobrassem e pranteassem em honra e glória pelo mar de dor que eles tão miúdos por infinitas vidas carregaram; se um dia – mas não.

E o que se diz, ainda que jamais se diga, é que a Inteligência que ceifa a história e a memória dessas gentes destituídas de nome é a mesma Inteligência que nas terras sudestes dispõem os trens e indústrias, a mesma Inteligência que multicolore os modestos luxos dos unicórnios. E ainda isso, que se dissessem diriam dos abusos e horrores, ainda isso não se diz – isso se narra nestas crônicas, ao encontro fatídico de um oceânico sertão de ouvidos moucos, porque afinal, se um dia ouvissem, se isso um dia não, o sertão viraria, como o repentista diria, o sertão viraria um vale de lágrimas, um fértil, histórico e memorável vale de lágrimas, em honra aos esquecidos, e em opróbrio e degredo àqueles que fizeram por esquecer.

Coda

O propósito deste breve relato, conforme exposto alhures, foi estabelecer uma narrativa minimamente confiável acerca das transformações por que passou o território outrora conhecido como Brasil. Aqueles interessados em um relato mais consistente poderão, evidentemente, recorrer aos aplicativos disponíveis a turistas e interessados em Googland, como poderão recorrer ao diário oficial do Governo dos Escolhidos, Twitter. A única vantagem da narrativa ora apresentada é – conforme deve ter ficado evidente – que o relato de cada um dos territórios pôde recorrer às bibliografias mais indicadas para aqueles que sobre elas se debruça; elas não são indicadas aqui, mas poderão ser disponibilizadas aos interessados mediante contato direto com o autor.

O mesmo autor, por sinal, procura apoio formal e financeiro para seguir empenhado no delineamento da história destes territórios, e atualmente pesquisa cordéis e registros oficiais que relatam as atividades de Lunga e de Lampião nos Levantes em defesa da nascente do São Francisco, pesquisa cujos frutos serão publicados, espera-se, nesta mesma casa editorial.

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