Infinito

Calmamente o velho tece o Infinito.

Ocupa o centro, sentado diante do fuso. Amplas colunas erguem-se paralelas – quatro delas emolduram o velho em seu ofício, os pares de colunas se seguindo a perder de vista de ambos os lados. Não se vêem as paredes laterais do salão – colunas e paredes se encontram no horizonte.

Do fuso sai um amplo tecido branco, levemente brilhante, extremamente macio. O tecido se desdobra e se estende por todo o salão, acumulando-se em níveis, dobrando-se rente às paredes, amontoado qual brancas nuvens a forrar o salão.

E o velho segue seu ofício do Infinito.

De tempos em tempos, e sempre subitamente, o velho pára. Move-se vagaroso, estica o pescoço, debruça-se sobre seu tecido: contempla em seu trabalho a inesperada aparição do Belo. Seu olhar se aprofunda em sua obra, perde-se em meio a ela, os olhos marejam, rasos.

Volta a seu posto lentamente, a feição atravessada de satisfação e prazer – um sorriso se esboça em seus lábios, apenas insinuado.

E o velho retoma, calmamente, a tessitura do Infinito.

 

 

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3 comentários sobre “Infinito

  1. b

    W

    Quase um poema(comentário da J)
    li em voz alta para ela e gostamos muito, nós duas.
    Que boa a sensação de estarmos juntos, você através da sua arte!
    bj
    b

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